Episódio 10: ESG: você sabe o que é e por que se tornou uma tendência?

Em nosso décimo episódio, vamos falar sobre um dos conceitos mais discutidos da atualidade, o ESG, que basicamente discute pilares ligados à sustentabilidade, além da ambiental, mas a corporativa e a social. Para conversar sobre o assunto com a gente, temos um convidado muito especial, Walmir Segatto, CEO da Credicitrus e especialista em governança corporativa, estratégia empresarial e cooperativas agroindustriais.

Transcrição

Aline Araújo: Sejam muito bem-vindos a mais um episódio do Minuto Agro, é questionando que evoluímos, o podcast da Indigo. Eu sou Aline Araújo, Head de Comunicação da Indigo e esse é o espaço para você ficar atualizado sobre o que acontece no agronegócio no Brasil e no mundo. No episódio de hoje, vamos falar sobre um dos conceitos mais discutidos da atualidade, o ESG, que basicamente discute pilares ligados à sustentabilidade, além da ambiental, mas a corporativa e a social.

Para conversar sobre o assunto com a gente, temos hoje um convidado muito especial, Walmir Segatto, CEO da Credicitrus e especialista em governança corporativa, estratégia empresarial e cooperativas agroindustriais. Seja muito bem-vindo, Walmir, ao nosso episódio de hoje do Minuto Agro, o podcast da Indigo.

Walmir Segatto: Olá Aline, obrigado. É uma satisfação estar com todos aqui, todos os ouvintes, todos aqueles que vão receber nossos bate-papos agora.

Aline Araújo: Ah, muito legal, bem-vindo aí ao nosso podcast. E pra gente começar o bate-papo eu queria que você explicasse um pouco melhor para o nosso ouvinte o que é o tal ESG?

Walmir Segatto: Muito bem, é como você bem colocou, né? Nós falamos de sustentabilidade, tratar negócios sustentáveis é uma prerrogativa de obrigação para o mundo atual e se não fosse para o mundo anterior, ele entrou no despertar de todas as organizações, conforme vai evoluindo a necessidade da perenização das organizações e com a mesma perenidade que a gente precisa dar para os negócios e para o meio ambiente, para a nossa vida, para o ser humano em geral. Portanto, é o desenvolvimento de práticas que estão amparadas nos pilares ambientais, nos pilares sociais e que a corporação com a sua governança siga esses pilares de forma equilibrada e com as autonomias internas deflagrando atividades e responsabilidades no dia a dia, voltado para esses pilares faz parte desse formato que a gente caracteriza como ESG. Em algum tempo recente nós falávamos de outros pilares, pilares voltados para a área do direito, voltados para a área econômica, voltados para área ambiental, mas conforme a gente vai consolidando que dentro de uma corporação, dentro de uma organização, esses pilares fazem parte não só da governança, mas o dia a dia da governança envolve a gente cuidar da parte econômica interna e externa da organização, a parte civil, a parte tributária, a parte fiscal, ou seja, esses pilares se encontraram dentro da governança e, para isso, uma governança bem estabelecida na corporação consegue traduzir isso no pilar social e ambiental, uma boa prática de trabalho do dia a dia. Naturalmente, o que se reflete nisso é a sua estabilidade e a sua sustentação, a sua sustentabilidade, não somente como organização, mas principalmente como parte de uma sociedade, parte de um desenvolvimento de pessoas. E para isso, o meio ambiente e o social se sustentam ou se equilibram permanentemente junto com uma organização dessa corporação.

Aline Araújo: Bom, segundo um estudo realizado pela BCG, a Consultoria de Boston, as companhias que tem boas práticas nesses campos de ESG apresentam resultados melhores a longo prazo, inclusive recentemente, a Luiza Trajano, do Magalu, afirmou à plataforma Mercados e Consumo que quem não entrar no ESG não tem mais valor no mercado. Por que que a prática se tornou uma pauta majoritária?

Walmir Segatto: Perfeito. Nós estamos pegando renomes aí que estão dando o peso necessário ao ESG, justamente porque ele é essa consideração ligada à sustentação do negócio. Imaginamos de uma forma mais prática, até para tangibilizar um pouco disso. A organização da sua empresa, independente da localidade que ela está, ela está dentro de um município, dentro de uma cidade, ela convive com a sociedade, consome insumos vindos de todo o seu negócio de fornecedores, que influenciam outras cidades e outras comunidades. Então, o tema social passou a construir toda sua cadeia de suprimentos. Se ele não for observado como impactado, você não consegue desenvolver o seu negócio e ele não pereniza. Pelo lado do ambiente a mesma coisAline Araújo: matéria-prima, na sua maior parte ou na sua grande maioria, vinda das fontes renováveis ou não-renováveis, elas estão impactando diretamente a sociedade, porque elas são parte do nosso desenvolvimento do dia a dia, parte do nosso negócio e parte da nossa vida. Então, o meio ambiente ligado ao social formam a fórmula de um mais o outro, é igual a sustentação e perenidade. Agora, quem que vai administrar isso? Os administradores disso, encontrando o equilíbrio interno da organização com o externo, formam o pilar, formam o tripé do ESG, por isso que Trajano, Luiza Trajano, como outros, estão propalando com muita identidade, de quem está vivendo, que é isso, se não estivermos nessa rota, estaremos numa rota de colisão que a empresa pode sofrer consequências até a sua falta no futuro, sua falta de perenidade.

Aline Araújo: E como que a adoção dessas práticas ligadas ao ESG interfere na decisão de investidores externos sobre as empresas?

Walmir Segatto: Muito bem, a hora que você consegue mostrar que isso não é só um discurso, um diálogo, isso está na prática, você realmente tangibiliza a sua ação. E isso faz com que quem vai ser um investidor, quem vai acreditar que ao fazer um investimento naquela organização ele está perenizando seu investimento, não só pelo lado financeiro, mas pelo que ele impacta na sociedade, e aí vem o peso do ESG bem construído, bem gerenciado e a governança cuidando da corporação, ele se sente participado do que traz de resultado da organização. Portanto, o investidor vai cada vez mais procurar quem está bem estruturado, quem tem sua governança bem constituída, os órgãos competentes dentro da organização cuidando das suas responsabilidades, fazendo a organização andar de forma estruturada e cuidando de todo o seu entorno ambiental, entorno social. Isso acho que vai ser daqui por diante cobrado das organizações e quem vai buscar parcerias, investimentos e tudo mais, vai também, a cadeia vai se formando, entendeu? Aline, ela vai se conectando com o fornecedor, com investidor com um fornecedor em segunda categoria da escala da cadeia, ou seja, ele fornece para o fornecedor, que fornece para a empresa, isso vai formando uma cadeia de suprimentos sustentável. Acho que esse é um ponto importante que o investidor cada vez mais observa.

Aline Araújo: E na sua opinião, a ONU tem o pacto criado aí com os objetivos do desenvolvimento sustentável. Como que isso acelera a implementação do ESG nas empresas?

Walmir Segatto: Organismos internacionais, fóruns globais, eles são o grande responsável para gerar um direcionamento e isso é super relativo e superlativo, até melhor falando, no sentido de expandir o conceito e não só, como conceito, mas fazer com que as organizações se vejam motivadas para buscar esse caminho, porque ao vermos uma organização como a ONU ou outros fóruns discutindo os temas do ESG, o ambiental, as suas práticas, seus impactos e como fazer isso ser transformador na sociedade, a gente tem uma alça de busca, e essa alça de buscas as organizações ficam observando. Então, assim, o efeito que uma ONU ou qualquer outro fórum ou organizações locais também, que ficam alçadas numa globalização do assunto, isso se torna muito mais frequente e se torna muito mais aplicado. Naturalmente que vai precisar ter, além do movimento em si, global, vai precisar descer na escala de aplicação, formação das pessoas, conscientização, comunicação, o marketing desse tema de uma forma positiva, construindo ele junto com as organizações, e voltando nas pessoas, formando as pessoas, ou seja, o ciclo de alimentação, para que isso aconteça também passa por formação, que as pessoas entendem estar participando, estejam engajadas nesse tema também, né? Acho que a participação dos grandes órgãos é obrigatória e ele conseguir descer isso para a sociedade é o grande desafio, né?

Aline Araújo: E qual que é a agenda da Credicitrus em relação ao ESG atualmente?

Walmir Segatto: Nossa agenda, Aline, ela remonta a nossa origem, nosso início, a Cooperativa de Crédito, que é uma Cooperativa fundada por agricultores na região de Bebedouro ligada ao agronegócio, em determinado momento, ela cresce e atinge uma que a gente chama de Liga de Missão, não só produtores rurais, hoje com 170 mil Associados de qualquer nicho de negócio da sociedade participam na sociedade da cooperativa nesse momento. Mas para chegar nisso e isso é um tema de sustentação, sustentabilidade, teve no princípio a preocupação com o ambiente, com o social e com vários outros aspectos que envolve o cooperativismo em si, intercooperar, cuidar da formação das pessoas na educação, isso foi permanentemente desenvolvido. O tema da governança, inclusive, ele se tornou muito claro a sua estruturação da cooperativa, há questão de 8 a 10 anos, quando você precisava estruturar no formato atual, entre todos os órgãos competentes de uma governança, fosse administração, fiscal, a própria governação em si, auditorias, os comitês que dão suporte ao Conselho, ao executivo na sua complementariedade com o conselho da gestão, da estratégia e da ponta. Essa aplicação prática, ela é uma construção do formato, mas o DNA, a construção do formato de ser ESG, ele veio desde 2005, quando nós nos preocupamos em ter um fundo de investimento social, que hoje é gerenciado pelo nosso Instituto Credicitrus. Ele veio desde quando formatamos um modelo de base educacional dentro da cooperativa, que hoje nós temos programas, por exemplo, de 15 a 20% de nosso quadro de colaboradores fazendo MBA com a empresa ou com a empresa de formação, uma fundação de formação, como a FGV. Isso tudo é uma prática de dia a dia, construindo desde o histórico ou nascedouro que a Credicitrus teve na sua história. Naturalmente que conforme as evoluções são aplicáveis, a gente se motiva ainda mais a fazê-la, mas para nossa agenda a construção disso foi uma necessidade de pensamento de perenidade. E qual é o futuro, já que no passado nós observamos disso, qual é a agenda futura? A agenda futura agora passa fortemente para um desenvolvimento social, onde a gente precisa formar mais a sociedade, não só para os colaboradores, não só para os empregados, aquele vão aplicar dentro do dia a dia da organização, mas que a gente consiga impactar na sociedade. Então, a transformação do dia a dia de um core de negócios bancários na nossa pauta para um core de transformação de vida na sociedade que a gente vive faz parte de uma agenda fortíssima, que vai desenvolver carreiras espetaculares de desenvolvimento, buscas incessantes de transformação no formato e modelo, sem deixar de ser o core do negócio, no final o core do negócio é o que sustenta as organizações, mas ela precisa estar impactando e transformando vidas lá na ponta, e essa agenda ela faz parte totalmente, esteja dentro dos contextos desde a governança aplicada ao dia a dia das estratégias, as práticas, produtos, serviços, preço e assim você vai colocando isso como parte da discussão de área para que essa agenda aconteça realmente lá na ponta, né? Essa é a nossa agenda de transformação do futuro, como é que a gente vai ser a organização que realmente participou da transformação das nossas vidas, da nossa sociedade, no dia a dia, nos próximos anos.

Aline Araújo: Muito bacana, é um desafio impressionante. Pensando um pouco em desafio, como que você enxerga que é o principal cerne entre o ESG sair de um conceito e se tornar realidade nas empresas em geral?

Walmir Segatto: Muito boa pergunta Aline, essa aplicação, a prática, literalmente, como você bem colocou, como é que você fala o ESG e como é que você coloca na prática. Olha, eu tenho o tema cultural bastante presente nas organizações que ele é de transformação, ele é uma engrenagem, né? Se ela escapa um dente da engrenagem, passa por cima do outro, você pode perder o timing, não entregar os objetivos, faltar ou exceder. Então, tem um tema de board, um tema estratégico muito bem definido isso, escalando de uma forma comunicativa adequada, de uma forma operacional correta e uma permanente vigilância da aplicação das suas práticas, corrigindo rotas, gerando efeitos e calculando os efeitos gerados e fazendo com que isso retroalimente e que esteja em compasso adequado ao que foi traçado no board dentro do planejamento estratégico. Então, para tangibilizar aquele que vai iniciar, observe sua governança atual, como é que ela está constituída? Como é que está o seu planejamento estratégico, em que ele está sustentado? Quais serão os locais ou o que os outros você quer alcançar baseado nos objetivos que está traçando? E depois descendo isso ou penteando a estratégia para baixo, como é que você vai construir iniciativas? E essas iniciativas vão fazer efeito prática através de planos de ação. Então, dessa forma você constrói o board, com board, seus organismos, com seus organismos a sua máquina no seu operacional e isso sempre permanentemente sendo checado, verificado e, principalmente, um grande tema que faz parte disso a comunicação e o envolvimento daqueles que acreditam nisso. Então, é uma transformação que passa por isso mesmo de uma transformação cultural também, né? Porque a empresa, às vezes, está num core de um produto ou de produtos tão pesados em cima de um modelo de negócio e fazer essa transformação acontecer escalando todos os pontos, todos as áreas do negócio da organização passa por esse envolvimento, então é um trabalho, precisa, no meu ponto de vista um planejamento estruturado, o querer disso, às vezes trazer profissionais para dar suporte. Isso é importante. Se não tiver o domínio, se já tiver o domínio pensar no futuro melhor e mais desejado e começar pequenininho, bacana, bem estruturadinho, faz com que a gente dê passos sustentáveis e de construção perene. O que na prática a gente poderia traduzir como sendo a visão corporativa, algo semelhante a isso ou com as suas nuances disso, né, Aline?

Aline Araújo: Sim, com certeza, e pensando um pouco no suporte que já existe para essas práticas. Globalmente, existem fundos que já somam mais de 30 trilhões de dólares em ativos para suporte a estratégias sustentáveis atuando na Europa e nos Estados Unidos. Isso já chegou aqui no Brasil e no restante da América Latina?

Walmir Segatto: Sim, nós temos aí com certeza fundos que hoje estão definindo seus aportes, baseado no ESG das organizações, das corporações, alguns deles, inclusive, definindo saídas ou entradas, em função dessa prática, está sendo a efetivamente alcançada através do investimento. E não só pelo investimento em si e retorno, mas aí aparece, e essa pergunta ajuda a gente a discutir um outro assunto, né? Aparece o tema da imagem, né? O branding relacionado não somente ao resultado, mas também à imagem. Então, você vai vendo aí nos noticiários alguns fundos discutindo o impacto do meio ambiente, como é que as organizações estão vendo. Isso está sendo frequentemente discutido, a produção de alimentos em cima de ambientes sustentáveis, a produção de mão de obra em cima de cadeias sustentáveis com relação às pessoas que estão sendo contratadas, e isso sendo observado pelo investidor. Porque não basta simplesmente ter o retorno financeiro, como é que nós vamos perenizar usando as pessoas, usando os recursos naturais, como é que nós vamos equilibrar o uso. Nós somos um país como uma imensa área geográfica e com várias regiões, e com regiões mais diversas possíveis, uma situação continental que fazem com que a gente tenha biomas diferentes, culturas diferentes. Então como é que a gente harmoniza tudo isso, usa corretamente os recursos, faz com que as pessoas vivam em função de um crescimento saudável, isso tá tudo na pauta discussão e os fundos, como você bem colocou, estão observando não somente lá o balanço, mas descendo nessas práticas internas dentro das companhias, né?

Aline Araújo: Você trouxe um ponto importante agora falando sobre a questão de marca e branding. A gente tem falado a respeito do que é o ESG dentro da empresa, a gente falou a respeito do comportamento do investidor e da tomada de decisão para ele adentrar ou não em algum outro novo negócio. Como que isso está se refletindo na ponta? O ESG, ele é uma realidade para o consumidor? Ele consegue, talvez ele não saiba efetivamente o que é o conceito, mas ele tem algum comportamento que está sendo influenciado no seu consumo em consequência do ESG?

Walmir Segatto: Se o desejo fosse a gente conseguir ter a maior parte a gente ainda tá no caminho, se a gente considerar como sendo esse e o nosso objetivo como organizações preocupadas com o ESG, ou construindo todo esse planejamento como nós falamos anteriormente, eu diria que a gente está no caminho, mas não sendo simples, não sendo, às vezes, até efetivamente ao alcance total, algumas organizações iniciaram, outras estão por iniciar, outras já estão evoluídas. E o que começa a perceber do outro lado é que o consumidor também está nessa fase, alguns já perceberam, outros ainda não perceberam. Eu já ouvi pensadores, pessoas com bastante estudos sobre isso falando inclusive da relação do ESG com a pirâmide de Maslow, ou seja, na hora que você está na base da pirâmide a preocupação com a alimentação, ela supera algumas práticas, inclusive que, conforme ele vai conseguindo superar essas fases, ele já absorve melhor, já discute melhor. Então, isso tem também fatores ligados não só ao aspecto do produto em si, mas o que vive um momento do país, o que vive a necessidade dos indivíduos e, por isso, que é importante na hora que a organização vai montar a sua oferta do seu produto, precificar, achar a ponta etc, ela também tem que ver como é que ela consegue impactar para trazer mais inclusão, ser mais inclusiva na sociedade. Mas dando um exemplo na hora que você começa a falar sobre isso, os produtos quando a gente fala sobre produtos de origem orgânica, produtos que tiveram ESG no teu selo. E aí começa a aparecer certificações, tudo mais, já começa a aparecer um público que vai observar isso. Então, na prática, quando você chega lá e vê aqui nesse QRCODE, onde ele foi produzido, como ele foi feito, isso já é uma vigilância de consumo, observando que quem está traduzindo isso em prática tem uma percepção de preço, uma percepção de aplicação e finalmente a tradução disso resulta num Brand mais sustentável. Então, na ponta, quem cobra, quem exige, ele melhora lá na outra ponta o tema do Brand, o tema do valor, o valuation da organização, porque ele vai traduzir num consumo diferente, estável, perene, quanto que vale o cliente na sua vida, né? Quando você calcula ele, a hora que você põe um brand com esse tipo de apelo e approach, naturalmente que o cálculo desse valuation ganha outro peso. Então, a hora que você consegue chegar com seu produto numa gôndola, com QRCODE indicando a sua origem e aquilo mostrando que realmente está na prática, e isso já tem produtos, já está chegando com mais frequência, mais organizações têm observado isso, e falando disso, “faz sentido, a certificação me ajuda a chegar nisso” e assim por diante, automaticamente, ele já começa a fazer colheita lá da outra ponta, né? E aí a gente vai ligando isso com o investidor, vai ligando isso com desenvolvimento social, liga com indicadores de desenvolvimento humano, o IDH local, e isso você vai vendo que ele movimenta no sentido de que “olha, realmente a prática faz sentido? Faz!” Ela pode ser só o Iceberg, a ponta, mas tudo o que se desenha por trás, ela está, inclusive, na ponta com o consumidor.

Aline Araújo: A gente está chegando aqui ao final do nosso episódio, infelizmente, o papo está maravilhoso. E eu gostaria de deixar uma última pergunta. É possível pensar que startups e novas empresas comecem suas atividades já com missão, valores e propósitos alinhados com ESG?

Walmir Segatto: Eu não tenho dúvida. Eu acho que isso passa até por um tema um pouco cultural, que construir uma Startup é, como você falou, a gente começa uma Startup baseada já num approach, já em valores, já em propósito. E isso ajuda a construir mais rapidamente, no meu ponto de vista, independente do tamanho da Startup, mas é coisa muito pequena e muito simples, não precisa ser nada absurdo. Mas para que que eu estou aqui, por que eu estou levantando de manhã e indo lá para o meu escritório sentando numa mesa para desenvolver uma ideia, uma coisa diferente. Isso já é uma construção de missão, de valores, de definição de propósitos, que vai falar com que a gente construa não só por palavras na hora de sentar e de discutir uma organização ou um início dessa organização pequena, mas já é a prática inicial. E por que não já começar a pensar pensando de uma organização mais estruturada, olhando para governança que você deseja para o futuro, qual o impacto ambiental que vai trazer nesse contexto inicial, qual o impacto social que você quer atingir? Coisas básicas e simples, uma ou duas pessoas já conseguem fazer rapidamente no início da sua startup esse exercício, eu acho que é muito legal, se a gente conseguir estimular isso sempre, a gente vai traduzir na formação de futuros unicórnios já na base com seu DNA bem construído, viu?

Aline Araújo: Muito bacana, Walmir, queria agradecer demais a sua presença. Esse foi o nosso episódio de hoje do Minuto Agro, eu espero que vocês tenham gostado. Obrigada por ter participado e acompanhado até aqui. Walmir, a nossa conversa foi incrível, muito, muito, muito obrigada.

Walmir Segatto: Obrigado eu, Aline, um prazer participar.

Aline Araújo: Este episódio teve produção e colaboração técnica de roteiro e de pauta do supertime de comunicação da Indigo, nos siga em todas as plataformas digitais para não perder nenhum episódio. Terminamos aqui mais um podcast Minuto Agro, esperamos você no próximo.