Episódio 7: O papel do Agronegócio no desenvolvimento sustentável

Em nosso segundo episódio, vamos abordar o papel do agronegócio no desenvolvimento sustentável e na responsabilidade com os recursos naturais de nosso planeta. Participam deste episódio o diretor de comercial Indigo Renato Magni, além de Sonia Chapman, Diretora da Chapman Consulting, responsável pelo Marketing local, regional e global do agronegócio na BASF durante 8 anos, com sólida formação nos três pilares da sustentabilidade, econômico, ambiental e social. Eles vão falar um pouco sobre as principais dúvidas sobre o assunto.

Transcrição

Aline Araújo: Olá, sejam bem-vindos a mais um episódio do Minuto Agro, é questionando que evoluímos. Eu sou a Aline Araújo, da Indigo, e hoje vamos falar um pouco sobre a responsabilidade ambiental no desenvolvimento do agronegócio, mais uma vez ao lado de convidados especialistas no assunto.

Aline Araújo: No episódio de hoje vamos falar sobre a responsabilidade ambiental e as medidas que têm sido tomadas pelas empresas dentro do cenário atual do agronegócio no Brasil e no mundo.

Para conversar sobre o assunto a gente, temos nossos convidadoSonia Chapman: Renato Magni, diretor comercial da Indigo, e Sonia Chapman, diretora da Chapman Consulting. Foi responsável pelo marketing local, regional e global no agronegócio da BASF, com sólida formação nos três pilares da sustentabilidade: econômico, ambiental e social. Sejam muito bem-vindos ao podcast Minuto Agro.

Renato Magni: Olá Aline, olá Sonia! É um prazer estar aqui com vocês, falando um pouco mais do agronegócio, para desmistificar e esclarecer alguns pontos para os nossos ouvintes!

Sonia Chapman: Oi pessoal, bom dia! Muito obrigada pelo convite, Aline, muito bom estar falando com vocês aqui, Renato!

Aline Araújo: Muito obrigada pela presença de vocês, sejam muito bem-vindos ao Minuto Agro! Para começar o nosso bate papo, eu queria situar um pouco os ouvintes sobre o panorama da sustentabilidade e de suas responsabilidades pelo mercado do agronegócio no Brasil e no mundo, falando da articulação do setor em torno de algumas questões. Algumas delas são a rastreabilidade e a transparência das boas práticas, geração de informação de qualidade para orientar os consumidores.

Sonia, você pode contextualizar um pouco os nossos ouvintes sobre como essas medidas, mesmo parecendo simples perto de todo o problema da sustentabilidade, elas fazem uma enorme diferença na responsabilidade ambiental de cada indivíduo e, também, das instituições e empresas privadas.

Sonia Chapman: Olha Aline, sim! E gostaria de começar dizendo que quando a gente fala de sustentabilidade, fundamentalmente a gente está falando de gestão, de gestão das próprias responsabilidades. E aí, não apenas no que a gente domina mais, que são as nossas próprias operações ou aquilo que está no nosso entorno imediato, mas naquilo que acontece antes das nossas ações e, também, depois. Então, isso tem um termo que se chama orientação ao ciclo de vida, então é ter o pensar, tem que considerar os impactos no processo inteiro de uma forma holística, é muito importante, porque assim a gente identifica onde acontecem os principais impactos ambientais, sociais, mas também onde que a gente tem uma responsabilidade direta para geri-los e, também, onde que a gente pode e tem a oportunidade de celebrar parcerias para mitigar esses impactos negativos e reforçar os positivos. Então, parece um pouco complicado, assim como eu estou falando agora, mas no decorrer da conversa eu vou poder compartilhar aí alguns exemplos bem práticos e bem simples de compreender, como faz toda a diferença, no mínimo, parar para pensar o que que acontece antes, durante e após ao nosso controle mais direto, e depois dos clientes e no mundo como um todo.

Aline Araújo: É, de fato, é preciso reconhecer que há muito a ser feito ainda pelo desenvolvimento sustentável em diversos setores e que existem diversas promessas por parte de órgãos públicos e privados. O que vocês acham que é primordial para colocar esses objetivos em prática?

Sonia Chapman: Se você me permite, Aline, eu gostaria de contextualizar que nós, agora mesmo, essa semana, foi divulgado um relatório do Painel Internacional pelas Mudanças Climáticas, que também vai ser o grande foco da COP desse ano, em novembro. É muito importante a gente levar em consideração que a gente está, o mundo está há cinco anos aí em uma agenda, 2030, de objetivos que envolvem o desenvolvimento sustentável, que demonstram claramente que todos temos que rever hábitos. Hábitos de consumo, hábitos de produção, a forma como a gente toma a decisão. Por isso que eu falei inicialmente, passa muito por a gente reconhecer que impactos acontecem antes e depois do que a gente domina, então todos estamos aí de certa maneira convidados a promovermos um amplo debate e de conexão com atores que talvez até agora a gente imaginava que não precisava conectar. Então, nesse sentido, eu vejo que essa agenda global é um grande desafio, porque tudo o que demanda escutar opiniões diferentes e ter mais gente crítica à mesa pode demorar mais e ser mais desgastante, mas o consenso no final é o que a gente tem que ter em mente, e esse vai fazer idealmente com que a gente reverta essa situação, que no contexto de mudanças climáticas foi descrita agora nesse relatório, mas que tem várias coisas, tem a questão do lixo que a gente gera, o desperdício, o uso da terra inadequado, tanta área degradada... Então tem muitas pautas específicas pro Agro, mas pensando no Agro como estando em tudo, de certa maneira também na indústria têxtil, moveleira, alimentos, ração, enfim, é muito importante a gente ter esses vários olhares, esses vários atores discutindo, e especialmente também formas de engajamento e de convencimento para essa mudança de hábitos. Muitas vezes, a gente ver certificações sendo solicitadas ou rótulos, selos sendo introduzidos para facilitar a comunicação de algum atributo, campanhas que enaltecem determinadas características de um produto ou serviço, tudo isso para orientar melhor o consumidor e aí é muito importante evidentemente que essas informações sejam genuínas, sejam verificáveis, sejam de qualidade, pra que essa influência de hábitos e de decisões de consumo ocorram justamente considerando esses impactos no processo como um todo, como eu falei no início.

Renato Magni: Bem, Aline e Sônia. Assim como foi pontuado há pouco, existem discussões globais, os temas estão em pautas em agendas que tratam os próximos anos e a importância que existe aqui é não só do fortalecimento de políticas públicas, mas também do setor privado e da conscientização da sociedade. Quando se fala em sustentabilidade, nós temos que recordar, tanto o setor produtivo, quanto o setor consumidor, é corresponsável dentro deste processo. A gente não pode pensar em sustentabilidade somente na forma como nós chegamos na produção, mas temos que considerar a sustentabilidade na forma como a gente utiliza estes produtos e na maneira como a gente descarta estes produtos, ponto levantado pela Sônia.

Então, a transparência dentro da cadeia e o reconhecimento pelo mercado, pelos consumidores, do que já tem sido feito, é muito relevante para que a gente permita um avanço ou o alcance de novos patamares sobre como nós produzimos, como nós consumimos e como nós descartamos os produtos.

Vale lembrar também que há um papel muito importante também da tecnologia. A tecnologia tem que ser um ponto de suporte para baratear a adoção dessas práticas e também melhorar o nosso entendimento sobre as melhores práticas sustentáveis, permitindo a quem faz parte da produção ser competitivo, igualmente competitivo com quem não produz da maneira sustentável.

Aline Araújo: É, e especialistas agrônomos, biólogos e entidades como a Embrapa, eles alertam que a destruição da vegetação nativa e as mudanças climáticas também podem prejudicar diretamente o agronegócio no Brasil, porque afetam diversos fatores ambientais de grande influência sobre a atividade agrícola. Renato, na sua opinião, por que o futuro do agro depende da preservação do meio ambiente no Brasil e quais seriam esses fatores de influência na agricultura?

Renato Magni: Bem, Aline. Nós sabemos que a produção agrícola, ela se dá em meio a natureza e através do consumo de recursos naturais, em meio as condições climáticas estabelecidas. Ou seja, as culturas, os alimentos para serem produzidos, eles demandam água, demandam temperatura, demandam equilíbrio local. Em lugares ao redor do globo onde isso não foi bem manejado e bem pensado no passado, nós temos até casos extremos onde ocorreu a desertificação. Ou seja, a inviabilidade da produção em determinadas áreas. E vale lembrar também que quando a gente pensa na necessidade de água para a produção agrícola, nós temos apenas 10% da nossa produção nacional de grãos, que é irrigada. E mesmo essa água ela é decorrente do balanço hídrico dentro das bacias, ou seja, se você chega em casos extremos onde você impacta no fluxo de água no sistema, até mesmo a irrigação pode ser inviabilizada. Então, se a gente pensar que a agricultura, ela já ocorre fazendo uma intervenção na natureza, mudando a vegetação local, é importante que nós aprofundemos o entendimento de cada bioma, para buscar a menor intervenção possível e buscar práticas que reestabeleçam o equilíbrio natural, evitando assim problemas hídricos, problemas relacionados a temperatura, e que nós sabemos que podem afetar diretamente a umidade do solo, a qualidade do solo, a presença de agentes polinizadores e numa consequência ruim ocasionar em uma maior infestação de pragas e doenças.

Aline Araújo: O agronegócio moderno já representa cerca de 25% do PIB brasileiro e conta com mais de 4.4 milhões de produtores cadastrados no CAR, o Cadastro Ambiental Rural. Além disso, o Brasil tem um dos códigos florestais mais rígidos do mundo. Renato, pode-se dizer que o agricultor brasileiro, de uma forma geral, já possui uma consciência de que a preservação ambiental deve ser aliada do agronegócio e ajuda nessa mudança de paradigma com ações práticas?

Renato Magni: Sem dúvidas, Aline. Não só pelas exigências legais, onde como você bem observou nós temos um dos códigos florestais mais rigorosos do mundo, e temos, sim, uma manutenção diária, uma política bem estabelecida sobre a manutenção de florestas, mas nós temos visto também atitudes tanto a partir do setor público, quanto do setor privado, visando a adoção de práticas sustentáveis e a conscientização dos produtores. Então, nós temos desde selos da associação dos produtores rurais, onde você está certificando e levando mais conhecimento ao produtor e ao consumidor, assim como nós já temos em prática, no Brasil, programas que geram, sim, uma remuneração adicional ou um incentivo àquele produtor que vem adotando gradativamente práticas mais alinhadas à conservação do meio ambiente.

Então, eu vejo um avanço muito grande, especialmente nos últimos 10 anos, no nosso setor produtivo, vejo também os produtores rurais ganhando uma visibilidade mais positiva acerca do que eles têm feito, mas a jornada é longa. É uma jornada de melhoria contínua, é uma jornada de educação e sempre considerando que o consumidor está diretamente envolvido dentro desse ciclo positivo.

Aline Araújo: Durante o Fórum de Agricultura da América do Sul, em 2018, a Embrapa exibiu uma pesquisa que afirmava ser a agricultura o setor que mais preservava o meio ambiente. O instituto apontou que a categoria era a única que dedicava e mobilizava cerca de R$ 3 trilhões para a preservação dos recursos naturais. Sonia, isso ainda pode ser atestado? Ou, dos últimos anos para cá, tivemos uma piora na responsabilidade ambiental por parte desse setor ou, ainda, o engajamento de outros setores da economia na causa ambiental?

Sonia Chapman: Não, com certeza tivemos uma evolução de práticas, tanto que elas foram reconhecidas recentemente pelas Nações Unidas. Agora, na semana passada esteve o responsável pela COP 2026 visitando produtores rurais, conversando com o Ministério da Agricultura e do meio-ambiente, reconhecendo práticas como iLPF e outras, plantio direto... A questão da gente fazer também uma safrinha, ou seja, no Brasil nós temos o privilégio de um código florestal muito rigoroso que nos obriga, na agricultura, a ter uma preservação ou uma recuperação de uma área que, por sua vez, pretende também proteger a biodiversidade, as nascentes, os rios, tudo isso é único e de muito protagonismo no Brasil. Eu diria que o nosso grande desafio é estarmos preparados e com processos nas empresas, nas organizações, nos agricultores, que atendam as novas demandas de certificações, por exemplo, que atestem essas boas práticas. Uma coisa é a gente saber que faz, e outra é demonstrar de forma verificável para um mercado que exija essa evidência, demonstrar concretamente que está fazendo e os benefícios disso. Eu diria que certificações, por exemplo, não são apenas para poder alcançar mercados críticos, ou que demandam esse rigor, mas eles têm um reflexo imediato na própria gestão. Então, internamente tudo passa a estar mais organizado também, mais transparente e de melhor conhecimento de todos os envolvidos. O meu início de carreira, eu sou um pouco suspeita neste sentido, meu início de carreira foi em auditoria externa, e eu entendo que essa exigência por uma demonstração, uma transparência de boas práticas, de atendimento ao código florestal ou a certificações que o cliente, por exemplo, estrangeiro, exija, tudo isso vêm ao encontro de ratificar as boas práticas que a Embrapa mencionou neste estudo em 2018, e que tem tido cada vez mais, inclusive, se refletido em políticas públicas. A gente tem o RenovaBio, que é totalmente pautado na Nova Calque por este pensamento de ciclo de vida, e pela avaliação de ciclo de vida que eu comentei no início, temos aí o combustível do futuro, temos a política nacional de resíduos sólidos, que determina a responsabilidade no clico de vida, acordos setoriais sendo celebrados... Então, tudo isso converge, vai tudo na mesma direção muito positiva de transparência, de compromissos e de verificação de boas práticas. Uma coisa que eu acho que a gente não pode esquecer é que o Agro também tem um impacto muito grande e tem que considerar a questão da sustentabilidade e do consumo de água e de recursos no meio urbano. Eu participo muito de eventos que discutem a questão do saneamento no Brasil, e qualquer investimento para reverter a falta de saneamento nos meios urbanos e rurais, contribuir para uma recuperação da qualidade da água, do solo, enfim. Considerar aí outros aspectos, além daqueles que a gente já está mais habituado a considerar quando a gente olha apenas dentro da porteira.

Aline Araújo: É um desafio, que está em produzir com eficiência, produzir mais com um menor número de recursos, utilizando menos áreas, menos água, menos defensivos, ou seja, aumentar a produtividade com tecnologia agrícola e sustentabilidade. A Sonia acabou de mencionar a iLPF, que é um exemplo dessa mudança e significa Integração da lavoura, pecuária e floresta. Renato, você pode comentar um pouco sobre essa prática e onde ela tem sido aplicada aqui no Brasil?

Renato Magni: Claro, Aline. Assim como mencionado pela Sonia, a iLPF é fundamental. Porque você deixa de ter a monocultura e por consequência você consegue intervir positivamente no ciclo de nutrientes, melhorar a eficiência das áreas e, também, facilitar o controle de pragas e doenças. Nos últimos 20 anos, o Brasil observou um crescimento abrupto da área que adotou o sistema integração lavoura, pecuária e floresta no Brasil, saltando aí de algo como 2 milhões de hectares para hoje, pouco mais de 16 milhões de hectares, e o que é mais interessante é que isso vem sendo adotado nos diferentes biomas onde há produção. Desde as regiões do sul do Brasil até as regiões norte, nordeste, dá para dizer que hoje nós conseguimos encontrar a campo trabalhos bem-sucedidos. A importância da integração lavoura pecuária é grande para o Agronegócio, não só por trazer a sustentabilidade ambiental da produção, mas também a sustentabilidade econômica. Sendo que, pela diversificação de produção, também há uma oportunidade de diversificação de renda para os produtores. Portanto, você diminui a exposição à produção de uma commodity específica, e você diminui também a exposição à situação de mercado, à situação de preços de um produto específico.

Dentro deste processo do iLPF, o ciclo da pecuária, a pastagem se beneficia desta adubação residual que é produzida pelos grãos, e consequentemente a produção de grãos vai se beneficiar pela melhoria das condições físico-químicas do solo, pela geração de matéria orgânica no solo. E como muito se fala hoje de geração de crédito de carbono, esse ciclo é muito importante, uma vez que você reestabelece a microbiota do solo e isso traz dentro do ciclo do carbono uma possibilidade maior da fixação do mesmo, do carbono, e por consequência há uma grande expectativa de remuneração por este crédito de carbono gerado. Portanto, o que nós vemos é, sim, uma expansão muito grande, a tecnologia tem ajudado muito, nós vemos aí instituições como a Embrapa com trabalhos pioneiros e fortes distribuídos para todos os biomas, temos também o trabalho de entidades privadas, levando maior conhecimento, um trabalho muito forte de extensão rural para o agricultor, temos um potencial muito grande de conversão dentro das áreas de pastagem, dá para se estimar que mais ou menos 40%, 50% das áreas de pastagem apresentam algum percentual de deterioração. E, ao mesmo tempo, os produtores também enxergando essa possibilidade de diversificação de fonte de renda, os produtores de grãos também têm adotado a pecuária. Então, é um ciclo bastante positivo e que pode ser observado praticamente em todo o Brasil.

Aline Araújo: E pensando um pouco em mudanças no manejo, um dos setores dentro do agronegócio que mais teve crescimento nos últimos anos é o de biológicos, muito devido ao uso de soluções naturais como alternativa para uma agricultura cada vez mais eficiente e sustentável. De que forma o investimento nos biológicos é a chave do sucesso para o avanço no desenvolvimento sustentável no Brasil e no mundo?

Sonia Chapman: Aline, aí eu gostaria de compartilhar uma experiência profissional minha. Há vinte anos atrás, eu tive a oportunidade de trabalhar no marketing do Agronegócio da BASF, na Espanha, e ali nós introduzimos biológicos no portfólio justamente para atender expectativas de um melhor manejo na uva, especialmente para produtores de vinhos, pela questão de certificado de origem, e também por expectativa de grandes varejistas, que já há 20 anos atrás determinavam que tipo de defensível deveria ser usado ou não na lavoura. Então, com pouquíssimo conhecimento técnico de fato, mas eles estavam determinando aí o que poderia e o que não poderia ser utilizado. Então, a introdução de biológicos na época foi fundamental para atender estas expectativas, para melhorar a gestão de pragas por parte dos nossos produtores e, também, para termos aí uma maior fidelização dos clientes, inclusive.
Então, eu vejo se essa tendência já era forte há 20 anos atrás, na Espanha, que eu liderei na época, agora no Brasil eu vejo que essa experiência concreta de duas décadas na Europa vai promover uma adoção ainda mais acelerada aqui, porque nós também temos condições climáticas e de solo mais favoráveis ainda do que na Espanha. Então eu vejo tudo isso com um olhar muito confiante, e vejo de uma maneira muito otimista todo esse crescimento pela procura por estas soluções que vem aí complementar a tecnologia já consolidada.

Renato Magni: É, Sonia, e vale lembrar também que nos últimos anos, mais uma vez aí o papel da tecnologia sendo exercido, o entendimento dos biológicos dentro do mercado brasileiro tem crescido e nós temos visto a presença de novos players e a profissionalização do setor. Tudo isso é muito favorável para a agricultura. E qual que é a importância do produto biológico? Ele traz diversos benefícios para os produtores, mas o principal: são ganhos de sustentabilidade por você impactar menos o ambiente através da adoção de produtos químicos, mas existem também os ganhos econômicos, já que os produtos biológicos eles visam uma otimização das utilizações dos recursos, então você tem diversos produtos, por exemplo, que são focados no melhor uso da água, como também, no melhor uso de fertilizantes, mas como também na redução no uso de produtos químicos. E isso gera ganhos econômicos para o agricultor e, também, gera para o consumidor uma maior segurança com relação ao alimento que vai ser consumido. Então, nós estamos passando por um momento muito bacana da agricultura brasileira. Hoje não é mais exceção encontrar um produtor que adota o uso de produtos biológicos em diversas culturas, e o que a gente vê é um cenário bastante positivo para os próximos anos.

Aline Araújo: A nossa conversa está chegando ao fim, mas antes gostaria de fazer uma última pergunta. A agricultura regenerativa já é tendência em muitos lugares do globo e chega com força total para revolucionar a maneira de produzir da agricultura, ao mesmo tempo em que se preocupa com o meio ambiente e o futuro da terra de cultivo. Renato, você pode explicar um pouco mais para o ouvinte do que se trata essa prática e por que é tão importante que ela seja cada vez mais implementada?

Renato Magni: Sim, Aline. A agricultura regenerativa ela prega justamente você conseguir produzir dentro de um ambiente favorável pela manutenção dos recursos naturais. Então, da forma que eu enxergo, é a maneira mais ampla de abordar sustentabilidade econômica, social e ambiental dentro da sociedade. E o que nós temos observado é cada vez mais o interesse e a evolução do setor produtivo em buscar essas práticas, não é incomum hoje encontrar propriedades adotando, já em escala considerável, a agricultura regenerativa, através do melhor uso da agua, dos cuidados com o tratamento da água utilizada, na escolha da fonte do fertilizante que vai ser aplicado na produção, na adoção de produtos biológicos, na forma como é transportado esse produto. Então, tudo isso já está se tornando realidade, já está deixando de ser um laboratório em pequena escala, um piloto que muitas vezes é inviável economicamente, para se tornar um produto efetivamente. E mais uma vez eu destaco aqui a importância da transparência da cadeia, a adoção, a virada para uma agricultura regenerativa, ela exige, sim, investimentos e ela exige, sim, reconhecimento e engajamento por parte de toda a sociedade. Então, mais uma vez, a tecnologia ela tem que baratear os custos dessa produção e também a adoção de selos, a adoção de práticas que permitam ao consumidor enxergar o que está cuidando do meio ambiente a médio e longo prazo, é o que vai possibilitar a maior divulgação e implementação da agricultura regenerativa no Brasil.

Sonia Chapman: Aline, Renato. Eu gosto sempre de fazer uma reflexão que justamente combina aí os vários impactos ambientais, que a gente pode resumir no que as pessoas chamam como pegada ecológica, então quer dizer, a nossa necessidade de recursos, terra, energia, água, enfim, para produzirmos e consumirmos o que precisamos e o IDH, justamente para fazer o gancho com as questões sociais também. Porque nós com alimento, vestuário, construção, enfim, procuramos melhorar a qualidade de vida das pessoas, evidentemente. E o IDH, que é o índice de desenvolvimento humano, ele é composto por três dimensões que são: a expectativa de vida, em anos, a renda familiar e os anos na escola. E a gente, comparando aí todos os países do mundo, o seu consumo, a sua necessidade, a sua pegada ecológica, a sua necessidade de recursos e o IDH que alcançaram, este gráfico mostra que nenhum país no mundo alcançou o que seria um equilíbrio ideal de um IDH alto sem comprometer a capacidade de regeneração dos recursos. Então, eu acho que isso remete a uma humildade da gente reconhecer que nenhum pode chegar e dizer pro outro que já alcançou este ideal, então todos estamos em uma posição de revermos hábitos e formas de produção e de consumo, mas pensando aí na nossa pauta que é a questão do Agronegócio, eu acho interessante reconhecer como práticas, como estamos mencionando hoje no decorrer desta fala, fazem com que no Brasil tenhamos um menor impacto na pegada ecológica justamente porque estamos conseguindo identificar tecnologias e compartilhar conhecimento para um melhor uso dos recursos que temos. Então, eu acho que fica aqui o convite da gente realmente contribuir para este avanço das tecnologias no Agro como um todo, especialmente visando a melhoria do IDH no Brasil.

Aline Araújo: Essa conversa toda, ela é muito rica. E acompanhando a discussão, a reflexão que fica é que a agricultura sustentável, ela não é mais tendência, mas sim uma realidade. E com isso, chegamos ao fim do nosso episódio de hoje do Podcast Minuto Agro. Eu espero que vocês tenham gostado. Obrigada a você, ouvinte, por nos acompanhar até aqui. E muito obrigada pela participação, Renato e Sonia, nosso papo foi muito bom!

Renato Magni: Obrigado, Aline. Obrigado, Sonia, e obrigado ao nosso ouvinte. Esperamos em breve voltar com mais novidades, e tratar de mais temas importantes da agricultura no Brasil.

Sonia Chapman: Obrigada pessoal, pelo convite e pela oportunidade, contem sempre comigo! Foi um prazer.

Aline Araújo: Este episódio teve produção e colaboração técnica, de roteiro e de pauta do super time de comunicação da Indigo. Nos siga em todas as plataformas digitais para não perder nenhum episódio. E sigam as nossas redes sociais. Está no ar nosso canal YouTube uma Websérie muito especial, Indigo Em Campo, que a rotina do nosso time no processo de lançamento do nosso biológico Indigo Simplex. E lembre-se, precisando aumentar a rentabilidade e a produtividade da sua lavoura, Simplifica! Fala com a Indigo.

Aline Araújo: Terminamos aqui mais um Indigo Podcast, esperamos vocês no próximo!