Fontes de Financiamento Agrícola

    A agropecuária é umas das maiores atividades da economia brasileira e o Brasil vem ganhando cada vez mais destaque na produção global de alimentos. Os produtos, além de consumidos internamente, também são exportados, exigindo que se realize investimentos não só nas propriedades e operações executadas, mas principalmente na viabilização da compra de insumos para realizar a produção. Dessa forma, o fomento às ferramentas de financiamento e crédito se tornam as principais prioridades da política agrícola atual. Por meio delas, é possível aumentar as chances de se manter competitivo na atividade, produzir com eficiência, sustentabilidade econômica e ambiental, e estimular a produção, incorporando novas tecnologias.

    O que você vai aprender nesse artigo:

     

    Primeiramente, deve ser avaliado o tipo de operação desejada, se será de custeio ou de investimento, bem como o montante de recursos que serão necessários, pois muitas linhas possuem tetos de financiamento por CPF e por ano Agrícola. Em seguida, deve-se realizar a seleção do crédito, que pode ser nas linhas anunciadas anualmente pelo Plano Safra pelo Governo Federal, ou por meio de financiamentos alternativos na forma de Cédula de Produtor Rural (CPR), operações de Barter ou de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA).

    Neste artigo vamos abordar algumas das ferramentas de crédito disponíveis e os principais benefícios que elas oferecem ao produtor rural.

    A importância e os benefícios do financiamento agrícola

    A maior importância do crédito é fortalecer o setor, melhorando a vida do produtor e estimulando a geração de renda na agricultura, modernizando o aumento da produtividade. Ele propicia avanço da produção, o aumento da rentabilidade e, consequentemente, um avanço social, cultural e econômico para os produtores rurais.

    Os benefícios podem variar de acordo com o programa e a finalidade do crédito contratado. Contudo, o produtor encontra uma gama de possibilidades nas quais o financiamento agrícola pode ser aplicado. Os maiores benefícios são: implementação de tecnologia na propriedade, custeio dos gastos de produção, financiamento de obras para ampliar o armazenamento de produtos agrícolas, estímulo para o crescimento do setor e da agricultura familiar, crédito específico para cada finalidade e condições de pagamento diferenciado, taxas prefixadas e capital específico.

    Existem três tipos de financiamento, que você pode conhecer melhor a seguir:

    1) Financiamento Público

    Uma das soluções de mercado para financiar a produção agrícola, o crédito rural é um financiamento público destinado exclusivamente ao segmento agro, disponibilizando recursos para custear e investir na lavoura em si, bem como em bens e serviços relacionados. Por meio dele, produtores rurais utilizam recursos concedidos pelas instituições financeiras, de acordo com linhas de crédito específicas.

    A linha de custeio e comercialização é dedicada para a cobertura das despesas relacionadas aos diversos ciclos produtivos de uma lavoura. Como o próprio nome diz, é um tipo de crédito concedido para custeio das atividades que envolvam a produção rural.

    Já a linha de investimento é direcionada para um tipo de financiamento voltado ao crescimento da produção e aumento da competitividade do produtor rural.

    O crédito rural foi criado através de uma Lei Federal em 1965. Na safra 2020/2021, foram liberados R$ 271,5 bilhões em crédito rural, já para a safra seguinte, a disponibilidade total de crédito é de quase 20 bilhões a menos, segundo informações do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

    O Crédito Rural faz parte do Plano Safra e visa o desenvolvimento econômico e social do setor rural. Os recursos vêm do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e de fundos constitucionais.

    Além dele, existem outros programas para obtenção do crédito agrícola por meio do Governo Federal, como:

    Pronaf - Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar;
    Pronamp - Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural;
    Moderinfra - Programa de Modernização de infraestruturas, incluindo pastagens e forrageiras;
    Moderfrota - Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras;
    ABC - linha de Agricultura de Baixo Carbono, que contempla várias áreas de produção animal e recuperação e adequação ambiental;
    Inovagro - voltado para inovações tecnológicas;
    PCA - Programa de Construção e Ampliação de Armazéns;
    Funcafé - destinado especificamente para produtores e agroindústrias de café.

    2) Financiamento Bancário

    Os modelos de crédito de financiamento agrícola para a cadeia de grãos no Brasil podem ser separados em dois grandes grupos: o crédito agrícola bancário e o crédito agrícola comercial privado.

    → Agentes participantes do crédito agrícola bancário: bancos comerciais e as cooperativas de crédito, que são regidos por normas do Banco Central e compõem o Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR). Dentro do crédito agrícola bancário, enquadra-se o crédito oficial, sendo que parte dele é disponibilizado através de juros subsidiados pelo Governo. A taxa de juros controlada, bem como o volume de crédito disponibilizado para as atividades agrícolas, é anunciada anualmente pelo Ministério da Agricultura, através do Plano Agrícola e Pecuário, conhecido também como Plano Safra. O Manual de Crédito Rural (MCR) do Banco Central regula as operações de crédito contidas nesse grupo.

    Nestes casos, os bancos possuem suas próprias linhas de financiamento, juros e prazos. Os principais bancos são: Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal, Banco da Amazônia, Bradesco e Sicoob.

    3) Financiamento Comercial

    →Agentes do crédito rural comercial: seus recursos são disponibilizados pelos fornecedores de insumos, distribuidores (revendas e cooperativas agropecuárias), tradings, cerealistas, agroindústria e exportadores de grãos e seus derivados, através de adiantamento de recursos para compra antecipada da safra, que concedem crédito através da condição de pagamento no prazo da safra mediante operações de troca. Esses recursos são disponibilizados por recursos próprios dos fornecedores de insumos e compradores de grãos, seja pela contratação de linhas de crédito bancária, como ACC (Adiantamento de Contratos de Câmbio) e ACE (Adiantamento de Contrato a Exportadores), seja pelas empresas predominantemente multinacionais. As transações variam de acordo com as estratégias de marketing, operações de gestão de custo e planejamento logístico da venda de insumos, e compra da matéria-prima para exportação, processamento e venda no mercado interno, ou seja, através de lucros obtidos em exercícios anteriores e eventuais transferências da matriz para as filiais e até mesmo captações feitas no mercado de crédito e capitais nacional ou internacional.

    Os financiamentos alternativos na forma de Cédula de Produtor Rural (CPR), operações de Barter, funcionam exatamente como uma transação de financiamento bancário e trazem alguns benefícios para o produtor, como crédito para financiamento da safra, terceirização da gestão financeira e travamento de preços de commodities. Apresentam custos inferiores a outras linhas de crédito e, muitas vezes, são a única alternativa de financiamento para o produtor, nos casos em que o produtor não dispõe de linhas adicionais de crédito.

    Linhas de Crédito

    Cada tipo de beneficiário do crédito agrícola tem linhas específicas de crédito, como por exemplo:

    • Juros com taxas fixas ou reduzidas: os percentuais cobrados são menores e ainda podem ser reduzidos de acordo com a modalidade de crédito escolhida. Ainda pode haver a isenção ou a redução de algumas tarifas de serviços.
    • Modalidades adequadas para cada finalidade: por exemplo, custeio ou investimento rural.
    • Prazos de pagamento: como há carência na maior parte das linhas de financiamento público oferecidas, pode variar conforme o tipo de custeio. Dessa forma, você pode começar a pagar depois de três a quatro safras, e a depender da cultura, após 1 a 2 anos. Existem, ainda, os financiamentos do BNDES, que podem ter um prazo de pagamento de até 10 anos. Nas linhas da Safra, como o PCA e o Programa ABC, esse prazo pode chegar a 12 anos.
    • Limites de crédito: o montante disponibilizado varia conforme o tamanho da área, a produção prevista, a viabilidade econômica do produto a ser plantado e a capacidade de pagamento.
    • Possibilidade de expansão das operações: permite que o produtor rural aumente a produção e sua produtividade, diversifique as atividades, melhore a renda e a qualidade de vida do agricultor e da família.

    Indigo e ferramentas de crédito

    Opções modernizadas como as Agfintechs têm potencial como boa solução para acelerar o acesso ao crédito com juros menores, de acordo com a produtividade. Saiba mais aqui.

    A Indigo possui no Brasil uma linha de financiamento via Barter, que permite aos produtores adquirirem, além dos produtos da Indigo, as sementes, o TSI e até o fertilizante. O Indigo Safra simplifica o acesso ao crédito, oferecendo maior flexibilidade para o produtor rural escolher seus fornecedores, formatar o pacote de insumos conforme a necessidade de sua lavoura e escolher a trading de preferência para a entrega dos grãos. Saiba mais.

    Segundo Dario Maffei, CBO Global da Indigo, “o foco da Indigo está em ajudar o agricultor a melhorar sua rentabilidade e oferecer a ele maior segurança financeira. Num cenário em que o preço dos insumos cresce a cada safra e a margem na comercialização dos grãos é cada vez menor, nossa proposta é garantir a nossos clientes o acesso a insumos e às melhores e mais modernas tecnologias”.

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