Episódio 1: O agronegócio e os biológicos no Brasil

Neste primeiro episódio, vamos falar sobre o agronegócio e os biológicos no Brasil. Participam deste episódio Dario Maffei, CEO LATAM da Indigo, além de José Luiz Tejon, jornalista, publicitário, professor e palestrante, que é comentarista da Rádio Eldorado, colunista do Estadão online e sócio-diretor da Biomarketing, agência de comunicação especializada em Agronegócio. Eles vão falar um pouco sobre as principais dúvidas sobre o assunto.

Transcrição

Aline Araújo: Bem-vindos ao episódio de estreia do Minuto Agro, é questionando que evoluímos. Eu sou a Aline Araújo, da Indigo, e vou contar um pouco pra vocês sobre os desafios e inovação do agronegócio no Brasil e pelo mundo, sempre ao lado de convidados especiais, que são especialistas no assunto.

Primeiro, quero apresentar pra você que está nos ouvindo um pouquinho sobre a Indigo. A Indigo nasceu em 2015, nos Estados Unidos, e foi considerada a mais bem-sucedida startup agrícola do mundo.

Somos uma empresa de tecnologia, com a missão de desenvolver soluções para a prática de uma agricultura mais sustentável, ajudando produtores e parceiros a aumentar sua rentabilidade e produzirem alimentos mais saudáveis ao consumidor.

Hoje, possuímos operações em diversos países, de quase todos os continentes. Iniciamos o trabalho aqui no Brasil em 2018. Por aqui, a Indigo atua em duas frentes de negócio: Indigo Safra, solução de crédito ao produtor rural, e Indigo Biológicos, produtos para tornar lavouras mais eficientes e sustentáveis.

As novidades não param de chegar e, em breve, novos produtos e serviços desembarcarão por aqui, trazendo ainda mais inovação ao agronegócio brasileiro.

No nosso episódio de estreia, vamos falar sobre o cenário atual do agronegócio no Brasil. Todos os seus desafios, evoluções, mudanças com o passar dos anos e claro, o investimento em novas tecnologias e inovações, que é a nossa grande paixão.

Vamos aproveitar nosso encontro para também discutir sobre a evolução dos biológicos no agronegócio brasileiro e a sua importância no panorama sustentável para a agricultura.

Para conversar sobre o assunto com a gente, temos os nossos convidados Dario Maffei, CEO Latam da Indigo e José Luiz Tejon, jornalista, publicitário, professor e palestrante, que é comentarista da rádio Eldorado, colunista do Estadão on-line, sócio diretor da Biomarketing, agência de comunicação, especializada em agronegócio.

Sejam muito bem-vindos ao episódio estreia do Podcast Minuto Agro.

José Luiz Tejon: É um prazer imenso estar com vocês, Indigo, casa de inovação, agricultura e pecuária é inovação na veia a cada instante. É igual Olimpíadas, tem que melhorar o índice a cada salto! Uma honra estar com vocês, muito obrigado!

Dario Maffei: E não é a primeira vez que a gente fala, e sempre muito legal de conversar com vocês, e Aline um prazer estar nesse primeiro episódio.

Aline Araújo: Muito obrigada, muito obrigada Dario, muito obrigada Tejon, bem-vindos ao Minuto Agro, é questionando que evoluímos!

Bom, pra começar o nosso bate-papo, eu queria falar com vocês sobre o cenário atual do agronegócio aqui no Brasil. Como que vocês veem as perspectivas para essa safra?

José Luiz Tejon: Bom, começando comigo ou com Dario?

Aline Araújo: Pode ser você, Tejon.

José Luiz Tejon: Então vamos lá. Bom, perspectivas para a próxima safra, sim, os agricultores estão abastecidos com sementes, fertilizantes. Eu vejo uma perspectiva, do ponto de vista dos agricultores brasileiros, de uma safra maior. Essa é a perspectiva que a gente tem hoje nos grãos, no desenvolvimento da fruticultura, desenvolvimento das carnes.

Agora, no cenário, do ponto de vista de demanda, é um cenário que mostrou que se nós tivéssemos mais pra vender, nós estaríamos vendendo mais, além de abastecer o mercado interno.

Portanto, vejo uma perspectiva de plantio sob o ponto de vista dos agricultores, positiva. E eu só espero que São Pedro, que os fatores incontroláveis, climáticos, nos ajudem. Caso haja um aspecto positivo ou normal do clima, eu vejo que nós poderemos ter uma safra maior do que esta, porque está aqui, inclusive, a gente foi prejudicado, perdemos aí cerca de 12 milhões de toneladas, só no milho, 12.000 t. Portanto, eu creio que nós teremos para a próxima safra, que inicia daqui pra frente, uma perspectiva, sob o ponto de vista de agricultores, positiva.

Dario Maffei: Só complementando, Aline, eu concordo com o que o Tejon tem falado. Eu acho que a agricultura tem mostrado aqui, que cada ano, cada safra é uma história diferente. E isso dá muito boa energia e boa perspectiva.

A cada 6, 8 meses o agricultor, e toda a indústria, tem que estar pensando o que vai acontecer. Eu acho que foi bem interessante o que tem acontecido após a pandemia e durante a pandemia. Eu acho que a colheita do milho ainda teve um monte de perguntas, quando a pandemia começou a pegar todo mundo pelo mundo todo. E nem sabia o que ia acontecer com a demanda, o que vai acontecer com as comodities. Após 2020, nós enxergamos um mundo que algumas até falam que está morto, novamente em um ciclo de super comodities. E todas as comodities juntas e subindo e trazendo preços que são bem mais altos e bem mais acima que o normal seria. E eu não vou entrar na discussão se é um superciclo ou não é um superciclo, mas de fato é que, as comodities agrícolas, elas têm experimentado o preço maior dos últimos cinco ou 10 anos. Eu acho o preço de comodities alto e aqui no Brasil, como deixa o valor, não tivemos uma queda na safra do milho, mas a soja já teve também não muito rendimento, sei lá, 135 é recorde para o Brasil. E o tipo de câmbio tem ajudado muito também. Acho que hoje está em R$ 5,20, mas o câmbio chegou a estar R$ 5,60, R$ 5,70. Quando você coloca preço alto, e câmbio alto, é um incentivo para o produtor para pensar em um 2022 supermelhor é muito grande. Eu acho que o lado B disso tem a ver com inflação, os insumos têm subido consideravelmente e isso tira um pouco da rentabilidade. Mas, em geral, rendimento foi bom, tirando o caso do milho, o tipo de câmbio ajudou e o tipo de preço de comodities também ajudou. Os incentivos estão super bem alinhados para que possamos pensar em um 2022 ainda melhor do que foi 2021.

José Luiz Tejon: É, eu até acrescentaria que a crise da pandemia revelou que o mundo quer mais comida. E que daqui pra frente vai ser impossível aceitar zonas de miséria e de pobreza no mundo. Teremos que ter ações de fundos internacionais, ações do capitalismo consciente, ações que precisarão prover seres humanos que hoje não comem, seres humanos que hoje comem mal, comem pouco. Isso terá que ser resolvido pela sociedade, pela experiência que a gente viveu dessa pandemia. Então está claro, e aí o assunto que você colocou, realmente de um superciclo ou não, eu creio que ele é um, vamos por assim, não sei se nos continuaremos tendo preços e câmbio elevados como estes, do jeito que está. Mas com certeza uma coisa que eu não tenho dúvida, precisa produzir mais. Precisaremos produzir mais, está provado aqui, um pouquinho a mais de renda e de ajuda, numa bolsa família da vida, no Brasil, um pouquinho de consumo de arroz, um pouquinho de exportaçãozinha de arroz, falta arroz. E a gente tem que importar arroz, tem que importar milho, tem que importar soja, porque está diminuindo a soja do Bio Diesel. Então está evidente e, do ponto de vista de produção, os agricultores têm a seu favor algo genial: tem demanda! Agora, você colocou um ponto importantíssimo e é um risco, como tudo, pra uns setores do agro está tudo muito bem, câmbio desse jeito, preços dessa forma, vendeu tudo que tem, OK, legal. Mas muito cuidado na gestão, porque se você usar mal essa capitalização, você vai falir. Portanto, foco gigantesco na administração, e aquilo que vocês bem representam: inovação, inovação, inovação, porque o preço dos insumos, fertilizantes, tudo, máquinas, tudo cresceu! E se tudo cresceu, é uma hora genial de gestão, gestão e gestão. Portanto, hora de aplicar a inovação pra valer.

Aline Araújo: De fato, os números do agronegócio no Brasil, eles contrariaram todas as previsões por conta de pandemia, eles se mantiveram altos em 2020, como vocês bem trouxeram a expectativa para esse ano, ela também é positiva. Só pra gente ter aqui alguns grandes números: de acordo com a confederação de agricultura e pecuária do Brasil, o CNA, e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o CEPEA, o PIB do agronegócio fechou 2020 com uma expansão recorde de 24.31% em comparação com 2019, e com isso, ampliou para 26.6% a sua participação no PIB total do país. Ou seja, representa 1/4 do total. Vocês podem tentar explicar pra gente um pouco quais são os motivos desse crescimento em meio a questão da pandemia global, vocês conseguem trazer um pouco pra gente Tejon?

José Luiz Tejon: É o resultado de 40 anos de Educação, de tecnologias, que substituíram a dimensão de áreas por intensidade de produtividade das áreas agrícolas brasileiros, além de que nós aprendemos a cultivar o cerrado brasileiro, onde antigamente se dizia terra do Cerrado ninguém dava nem herdava. Ninguém queria ir, todo mundo achava que ele não se produziria nada. Então, Alisson Paulinelli, hoje o nosso candidato ao Nobel da Paz, um trabalho genial de 1974 em diante, está implementando educação. Mandou 1000 brasileiros estudarem pelo mundo afora, voltarem ao Brasil e tropicalizarem este conhecimento. Então, este resultado, é um resultado que inicia fortemente ali no final dos anos 70, e se desenvolveu espetacularmente a partir dos anos 90, com essa tomada de um território do Cerrado, que antigamente era a fronteira agrícola brasileira, terminava em Patos de Minas e ia até ali Campo Grande, e não passava de Itumbiara.

Nós tínhamos uma fronteira agrícola bem limitada e também cresceu em paralelo, o setor das frutas, o setor das hortaliças, dos legumes. Tivemos este crescimento e saímos em 1980, de 30 milhões de toneladas de grãos para essa última safra, que teve um prejuízo com milho, que era pra ser de 272 milhões. E vai ser talvez 260, vamos ver como é que se encerra isso, 258, 260 milhões de toneladas de grãos.

Somos o quarto maior do planeta terra, quarta maior produção agropecuária do planeta Terra. Então crescemos na agropecuária, crescemos com alguns setores industriais de exportação, setores de cooperativismo, que são espetaculares, cooperativas agroindustriais, segmentos empresariais, agroindústrias, exportação, então chegamos a um número, e quando nós iniciamos os estudos de agrobusiness aqui no Brasil, as nossas métricas mostravam 33% do PIB do Brasil, era relacionado ao agrobusiness.

Este último dado, do CEPEA, 26.6 perante 20, 21, 22, o número anterior, ele revela que temos uma dependência extraordinariamente forte e grande do setor do agronegócio. Na minha conta mais pessoal, é difícil de provar, eu diria que nós estamos muito mais pra 35% do PIB entre os impactos diretos e indiretos do agronegócio do que pra 26, mas é difícil de extrair do setor automobilístico, o que que é o percentual originado de agronegócio. É uma conta do CEPEA, ela segue os indicadores de entradas e de saídas do IBGE e foi a 26.6%. Por um lado, muito positivo, porque o Brasil, de certa forma, segura sua economia no agronegócio, mostrando que ela é fundamental, e mostra também o seguinte, se nós tivermos um planejamento estratégico do agronegócio brasileiro do A do abacate ao Z do Zebu, este é o caminho para nós crescermos o PIB, em percentuais muito mais ousados do que os atuais, e isso revelará também a possibilidade necessária de nós dobrarmos o tamanho do agrobusiness do Brasil para que o país cresça. E o planejamento estratégico em cima das cadeias produtivas do agronegócio é o caminho. É um ponto positivo. A agropecuária, Aline, por outro lado, nos últimos 11 anos cresceu mais de 32,5%, portanto, ela é o que segura o PIB e o PIB precisa de crescimentos maiores, mas aí precisa de muitos outros envolvimentos de outros setores industriais e empresariados brasileiros também. Mas é o Agro hoje, a mina efetiva de potenciais reais e de potenciais de riquezas para os próximos 10 anos.

Aline Araújo: De fato, potencial extraordinário. Dario, qual que é o papel da tecnologia e da inovação neste cenário todo de crescimento?

Dario Maffei: Olha, eu realmente adorei a resposta do Tejon. Eu concordo plenamente, de uma perspectiva para nós, dos últimos, sei lá, 30, 40 anos de evolução, que teve Brasil, e eu acho que esse é um exemplo não somente de crescimento do país, mas de uma combinação entre setores público e privado e de uma revolução tecnológica que começou lá atrás, 40 anos atrás. Hoje eu estava lendo um report operatório, e ele dizia que se nós tivermos o rendimento dos anos 90, hoje o Brasil precisaria plantar o dobro dos hectares que planta. Claramente aí você tem uma evolução que a tecnologia tem permitido que o Brasil cresça a produção, com bem menos requerimento de plantio e de hectares, do que se não tivesse o rendimento do ano noventa. E isso não seria possível se não fora por essa matriz que eu falei, se não for a combinação de setor público, privado, com foco, que obviamente sempre nos dizemos “Ah, poderia ter sido melhor”, mas aconteceu e por outro lado, nós temos a tecnologia ajudando. E essas novas tecnologias começaram também em causas estruturais, então nos anos 90, pensar que uma fatia muito grande da produção do Brasil iria sair pelo corredor norte, ninguém imaginava isso. E hoje você tem a BR163 que saca, sei lá, Milhões de toneladas pelo acesso Norte, tem Portos! Eu cheguei aqui no Brasil em 2014, nós em 2014 tínhamos bem menos Portos e saídas do Brasil para o mundo, do que nós temos hoje. Então assim, e tem que ver com as ferrovias, tem um monte de coisas estruturais, de coisas de indústria pesada que o Brasil tem desenvolvido e que pode ser melhor e que vai continuar acontecendo, mas que chegaram ao Brasil para experimentar o crescimento que tem hoje. A tecnologia, obviamente, hoje nós estamos em 2021, uma revolução onde toda a tecnologia que tem que ter consciência biológica, são digitais e estão ajudando a descobrir problemas e a resolver problemas de um jeito diferente, mas a tecnologia vem acompanhando a agricultura já faz muitos anos atrás. E trouxeram a gente onde estamos hoje. Eu acho que o grande desafio que nós temos agora, eu vou conectar um pouco o que o Tejon falou na primeira pergunta e na segunda, tem a ver com: é fato que o mundo vai continuar crescendo, vai continuar precisando de melhores alimentos, e que o Brasil, país produtor de alimentação produz, isso vai ser e vai continuar evoluindo. Mas por outro lado, eu acho que o mundo começou a reconhecer a necessidade de fazer isso de uma forma sustentável e cuidar do mundo, porque se não cuidar do mundo, não adianta ter fome e ter alimentação, não vai ter onde produzir. E aí, é onde eu acho que a tecnologia começa agora a trabalhar numa paradoxa, que é agora produzir mais, mas não do mesmo jeito que vínhamos fazendo. Não é com macetárias, como nós podemos fazer para a mesma terra produzir mais e melhor, e aí é onde eu vejo que a tecnologia está providenciando coisas que 40 anos atrás não dava, então aí é onde, entender os lados, antecipar o que acontece com a produção, com a qualidade, conectar melhor a oferta e a demanda. Tem coisas que hoje a tecnologia está mostrando o caminho, de como podemos fazer acontecer e eu acho que esse vai ser a próxima pegada. Do agro como um todo, que é: vamos continuar crescendo, só que de um jeito diferente, mais inteligente e mais sustentável. E essa jornada que é interessante para todos nós que estamos aqui, nesse 2021. Porque em 1990 seria interessante também, sim, eu não estava aqui no Brasil, e esse crescimento do Mato Grosso que não tinha nada e que hoje é o Mato Grosso que é, deve ter sido superlegal. Agora estamos na próxima sacada, como podemos fazer para que a tecnologia faça esse crescimento de um jeito diferente. E isso o mundo nunca tenha conversado, a sustentabilidade do jeito que nós enxergamos hoje, e o crescimento e a segurança alimentar nunca tenham conversado do jeito que está conversando hoje. Aí, é onde eu fico superempolgado de estar onde nós estamos.

José Luiz Tejon: Dario, eu queria até acrescentar, o que você colocou, algo muito importante. Quantidade tem que crescer, mas o nível de saudabilidade dessa produção. Porque agronegócio virou sinônimo de saúde doravante. Então é, precisamos produzir mais, porém com uma qualidade nutritiva, uma qualidade de nutrientes, muito melhor.

Porque, saúde, alimento virou sinônimo de saúde. Então, é um agro e Health eu diria, mais do que um agroBusiness, ou além de um agrobusiness, é um agriHealth que nós teremos daqui pra frente. Muito bem lembrada aí a tua visão, e essa tecnologia agora tem que estar preocupada com a saúde. Saúde do solo, saúde, saúde. Muito bem lembrado, Dario.

Aline Araújo: Bom, Tejon. De fato, existe, é uma pauta recorrente né, os danos, os impactos que as práticas podem gerar ao meio ambiente, no agronegócio. Pensando um pouco sobre isso que vocês estão falando, sobre a perspectiva de investimento, em tecnologia, inovação pro setor e pensando sobre a corrida da sustentabilidade. Qual que é o lugar do Brasil nessa corrida, o que falta para os produtores aderirem as novas práticas?

José Luiz Tejon: Bom, o Brasil é um país extraordinariamente sustentável. Nós temos o programa ABC: agricultura de baixo carbono, que é uma das coisas mais espetaculares do mundo! E ele não é pequenininho, não está em 1 milhão de hectares ou dois ou três, nós temos cerca de 50 milhões de hectares no Brasil sob fundamentos do programa ABC: agricultura de baixo carbono, onde um dos itens fundamentais desse programa é o plantio direto, que o Brasil adotou de uma maneira muito inteligente. Então, nós temos programas de solos, programas de estudos profundos de solo brasileiro, temos programas para irrigação, que vem por aí, e nós temos uma coisa concreta, que é o programa ABC. Quando a gente mostra o que é agricultura de baixo carbono do Brasil pra qualquer estrangeiro, inicialmente ele não acredita que isso esteja existindo, mas está existindo. Quando você vai a toda a região brasileira produtora você vai encontrar os agricultores dentro do programa ABC. Tem muita coisa pra melhorar, como tudo no mundo, para aperfeiçoar, porém nós temos integração lavoura-pecuária-floresta, que é outra coisa genial de um contexto de sustentabilidade, com produção, com diminuição de risco para os produtores, então isso tudo existe. Qual é a diferença do passado pra hoje? É como eu salientaria, quando o Herbert Barch e o Frank Diskt iniciaram o desenvolvimento do plantio direto na região lá de Castro, Carambeí, lá no Campo Gerais, do Paraná, era 1971, 1972, 82, 92 e levou 20, 25 anos pra que aquilo que eles criaram em 1970 fosse adotado.

Semente híbrida de milho, eu trabalhei na Agroceres, o Secundino inventou a semente híbrida de milho em 1945. 55, 65, 75, 85, 40 anos depois produtividade de uma semente que permitia 15, 16.000 quilos por hectare, a produtividade do Brasil era 2000.

Então, o que acontece com esses eventos? Levava muito tempo, levava muito tempo entre a invenção de uma tecnologia e a adoção dessa tecnologia. Não tem mais 10 anos pra esperar, não tem mais oito anos pra esperar, não tem mais cinco anos pra esperar, precisa adotar imediatamente a inovação. Caso contrário, você vai ficar fora, não dá pra esperar mais que o vizinho prove, que o outro vizinho prove, até porque se eu sou agricultor inovador, um agricultor que eu estou fazendo tudo dentro dos fundamentos modernos, por exemplo, da biotecnologia, do bioinsumo, das práticas conservacionistas sustentáveis na minha lavoura, se meu vizinho não faz, ele não vai permitir que eu faça. Porque o que ele fizer de errado na lavoura dele, vai repercutir na minha, então não tem mais saída pra um, nós precisamos todos reunidos adotar a inovação.

Eu diria que a diferença entre o passado e o presente que nos leva aos próximos 10 anos, além do conhecimento, nano conhecimento muito superior aquele antigo, é velocidade, você não tem 10 anos pra esperar pra adotar a inovação. Você tem que fazer agora, e se você ficou capitalizado aí com a soja, invista seu dinheiro em inovação já! Antes que alguém te arrende. Portanto, não tem mais 10 anos pra esperar, essa é brutal diferença que a gente tem que alertar e incomodar, no bom sentido, os nossos amigos produtores, sem esquecer das mulheres produtoras, que são grandes aceleradoras da inovação! Mulheres na agropecuária.

Aline Araújo: De fato, inovação e sustentabilidade não são mais uma questão de tendência, é uma realidade! E olhando um pouco pra esse cenário, um dos setores que mais teve crescimento nos últimos anos é o de biológicos. Muito devido a busca de alternativas para uma agricultura cada vez mais eficiente e sustentável. Dario, consegue explicar um pouco desse mercado e como que ele representa atualmente as perspectivas dos próximos anos no Brasil?

Dario Maffei: Claro, eu queria conectar e comentar também sobre o que o Tejon tem falado aqui e trouxe para nós, eu acho dois temas que eu concordo, são relevantentíssimos, superrelevantes. A velocidade é uma e outro é o sentido de pertencer ao ecossistema. Não adianta eu reagir, se meu parceiro, meu vizinho não reage. Não adianta eu reagir se meu fornecedor não reage e se meu cliente não reage. Então, estas duas novas tendências do mercado, velocidade e ecossistema, sentimento de coletivo do assunto, eu acho que são coisas que, de novo, são novas para todos nós e para todos nós como manager, como consumidores, como produtores, nós temos que aprender a conviver com isso e eu acho que é um desafio dentro dos próximos passos, como nós tomamos decisões, como nós compartilhamos. Então, agora se a gente não compartilha os aprendizados, a velocidade não vai ser tão rápida como poderia ser se tivéssemos compartilhado.

A boa noticia, é que, pra mim, a ciência tem evoluído muito rápido. E a velocidade que a ciência tem de criação de novas soluções é cada vez mais rápida. Então, eu acho que nós temos disponíveis hoje, a todo nível de tecnologia que lá atrás no tempo demoraria anos e anos de tempo. Então, é só uma questão de cabeça e de entender velocidade, e entender que somos parte de um ecossistema, mas as soluções tecnológicas estão disponíveis.

E claramente tem dois campos onde a ciência tem evoluído, eu diria nos últimos 10 anos, de uma forma muito significativa. Uma é a digitalização, sim. Ainda temos um monte de trabalho pra fazer, ainda na conectividade, na fazenda quando tiver cidade, ainda tem muito espaço para aprender, mas esse espaço tem evoluído muito, muito, muito.

E outra é a Biotecnologia. Então, quando nós falamos que hoje tem uma empresa como a Indigo, que tem um portfólio de Biológicos, que pode ajudar a alavancar os tratamentos de doenças das plantas, que pode tentar ajudar a fazer que a nutrição da planta seja acelerada. Que possa fazer que uma planta suporte o estresse hídrico de uma forma que não poderia e, esse tratamento além de tudo isso que ajuda, ajuda também o meio ambiente a desenvolver, os biomas que antes nós matávamos. Realmente estamos em frente de coisas bem diferentes. Ainda igual na parte digital, tem espaço para crescer e espaço para aprender. Então, quando você menciona a indústria dos produtos biológicos, ainda no Brasil, é uma parte da indústria bem pequena, comparada com o que são a indústria dos agroquímicos, quase 15% do que os agroquímicos são. É bem pequena. Mas agora, tem outro jeito de olhar isso, ok, quanto que era essa fatia há cinco anos atrás? Bem menor. Ah, e como vem crescendo isso? Ah, dois dígitos de crescimento cada 2/3 anos. Então aí é quando você acha a parte inspiradora do assunto, você tem o acompanhamento da tecnologia e o crescimento que você está enxergando no mundo, mas também no Brasil. Os produtores cada vez mais estão perguntando da tecnologia, estão espalhando isso. E afinal de contas, por que isso acontece? Parte pela curiosidade, parte pelo ecossistema. Mas também porque a demanda está pedindo isso. Então hoje, é bem mais frequente ouvir que um comprador de roupas pediu um algodão mais sustentável, ou que alguém que tem que comer peça um alimento mais sustentável.

E esses sinais vão se conectando entre demandas e ofertas e vão fazendo com que isso se passe de nova tecnologia e tenham um crescimento significativo. Então, os biológicos especificamente, Indigo, tem uma participação bastante grande aqui no Brasil e é um espaço muito legal de crescimento, mais e mais eu tenho conversas com produtores, onde eles enxergam não só linearmente os impactos dos biológicos, mas de uma forma holística, onde eles entendem que o tratamento biológico faz que o solo fique melhor, que a produção fique com valor agregado, faz outras coisas que não só “eu aplico este produto e tenho esta consequência”, não. Não temos uma consequência, mas sim várias consequências. E na medida que você abraça isso, é como você começa a mudar mais cedo, do que eu comecei a falar no começo. O mais você vê velocidade, e como eu aprendo com o ecossistema.

Aline Araújo: Esse é um ponto interessante, porque alguns especialistas, eles afirmam a importância de que, o biológico ele não surge para substituir o químico, mas sim que, na maioria dos casos, o recomendado é que haja uma sinergia entre os dois. Tejon, qual que é a sua opinião sobre esse assunto?

José Luiz Tejon: Aline, Dario, quanto mais a gente vai vendo todo esse arsenal de inovações, a gente vê que o novo agricultor ele é um Designer. Mais do que um agricultor, ele precisa reunir partículas, partes, então o mundo daqui pra frente não é um mundo do ou, ou isto ou aquilo, ou isto ou aquilo. É o mundo do E, é o mundo ‘e isto e aquilo’, que é o que a gente vai vendo, que eu acho genial o que está acontecendo efetivamente, é um pouco a substituição de uma visão de um produto genial que resolve tudo, por um processo, um sistema, que é o sistema que tem a ver com este mundo dessa agricultura sustentável e responsabilidade social e de governança que a agricultura ESG.

Então é E, é E. Agora, quando você usa o E, você tende a usar com muito mais eficácia, com muito mais pertinência esses aspectos todos, da entrada de um químico, quando for necessário, a entrada de um químico, porque se você tiver um solo mais fortalecido, uma planta mais fortalecida, e como ser humano, eu vou precisar de menos remédios. Mas hoje, se eu não tomar aqui o meu Lifázio pra diabete, eu morro. Preciso dele, porém nós vamos assistir cada vez mais o desenvolvimento de uma cultura, integradora e de design de um sistema, então é o mundo do E. É o mundo do E, E, E. Não Ou, mas um E inteligente como vocês estão falando, e como Dario está aqui reforçando o tempo todo.

Aline Araújo: Muito bom! Infelizmente, a gente está chegando no final do nosso episódio de hoje, e aí eu trago aqui uma pergunta pra vocês: quais são as suas expectativas pro agronegócio no Brasil num cenário pós-pandemia?

José Luiz Tejon: Bom, se quiser começar comigo, eu sou como o Ariano Suassuna, um teatrólogo, um escritor paraíbano brasileiro, escreveu o Auto da compadecida, infelizmente já falecido, ariano lá de Paraíba! Ele disse: “O otimista é um tolo, o pessimista é um chato, eu sou um realista esperançoso”. E é assim que eu me considero com relação a este país maravilhoso, extraordinário, que é o Brasil. E na minha visão, primeiro lugar: o PIBb do Brasil tem que ser um PIB saia de 1.8 trilhão de dólares, 2 trilhões de dólares pra 4, 5 trilhões de dólares em 10, 12 anos. Precisamos, e seremos demandados pra isso. Para que este PIB dê esse salto, vai ser fundamental que o agronegócio brasileiro dobre de tamanho. Em dólar, o total do Agrobusiness brasileiro é na casa de 400 bilhões de dólares, quando colocamos o antes, dentro e pós porteira das fazendas. Eu tenho falado e me reunido com Roberto Rodrigues, Marcelo Brito, amigos, pessoal, nós precisamos de um PIB em 10, 11, 12 anos do agrobusiness de, no mínimo, 1 trilhão de dólares, porque a partir disso que nós viabilizaremos o país pra 3 ou 4 trilhões de dólares de PIB. Portanto, o que eu vejo: dobrar a agropecuária de tamanho a partir de conhecimento, de tecnologia e de inovação. Não é aumento de área, é utilização da bioeconomia de uma maneira inteligente e a partir disso, agroindústria, comércio, serviços e tudo aquilo que tem no entorno da Matriz de riqueza brasileira, que é a agropecuária, e uma coisa mais, biometano. O gás natural renovável a partir dos resíduos das fazendas brasileiras, principalmente das fazendas ligadas à proteína animal. Porque a Nestlé tem um compromisso de ser uma empresa carbono neutro em 8, 9 anos. E ela não pode levar ração pros produtores de leite e ela não pode buscar o leite em cima de caminhões de combustível fóssil, precisará de biometano, produzido naquelas fazendo do leite, suíno, do gado, além das usinas de cana, que também precisariam transportar a cana sobre combustíveis que não sejam fósseis. Portanto, Brasil, sem dúvida alguma, dobraríamos de tamanho o nosso agrobrasileiro. É isso o que não só eu digo, como otimista, mas como Ariano Suassuna, um realista esperançoso, e conto com vocês, organizações novas, gente nova chegando, como vocês da Indigo, que não se ouvia falar há 2, 3 anos atrás e que agora estão aqui de uma maneira protagonista.

E com certeza, eu não tenho dúvida alguma, esse mercado que vocês estão envolvidos, se o Brasil precisa dobrar de tamanho em 10 anos, o seu lado, esse setor de vocês multiplicará no mínimo por 10 ou por 20 nesses próximos 10 anos. Tudo dependerá da velocidade, não é mais da ciência, da velocidade da educação, educação, educação. E o que mais atormenta um professor, Dario, não é o aluno que quer estudar, é o aluno que está na classe pra passar tempo, e esse o professor tem que ver como é que provoca, como é que incomoda, porque é esse aluno que o professor tem que fazer ele andar! E no campo do nosso agro brasileiro vai ser mexer com aqueles vizinhos que ficam vendo vizinho nhanhanha, e vamos ter que ajudar fortemente essa revolução de cultura, de cuca, pra que ele, inclusive, seja bem-sucedido, faça sucessão e tenha ali nos seus próprios filhos os legítimos sucessores das suas propriedades.

Mas é isso gente, eu agradeço muito esse podcast, esse papo aí com o Dario, com você, Aline, com essa companhia, que é um sucesso mundial. O maior sucesso de uma ex startup no mundo do agronegócio. Parabéns e obrigado por estar aqui no Brasil nos ajudando também!

Dario Maffei: Eu estava pensando aí, Tejon, e eu acho que o realista esperançoso é quando ele tem que olhar o copo meio cheio, meio vazio, eu acho que ele vê o cheio, aprende como encheu, aí não tem medo de encher a outra metade. E eu vejo que aí, o que vem do futuro, é como a gente vai encher a outra metade, aprendendo o que tem que aprender do passado, mas sem medo do futuro.

Eu acho que o que temos pela frente, já tivemos, mas vamos ter cada vez mais frequente, quebra de paradigmas e de paradoxos. Então, nós comentamos aqui, no podcast, segurança alimentar versus sustentabilidade. Essas duas estavam se enfrentando em algum momento da história, e hoje não estão mais se enfrentando, hoje a gente acha um jeito de que as duas coisas não só possam conviver, como também se alavancar. Eu acho que uma empresa como a Indigo, que tem 1000 funcionários e está lucrando coisas que empresas de 100 mil funcionários antes não conseguia. E na verdade, esse espaço que o novo mundo tem criado não só para a diversidade de pensamentos, mas para a diversidade como um todo, e para que empresas com menor recursos possam colaborar, aprender, se alavancar e contribuir para a transformação e outra parte desse copo meio vazio que nos temos que encher.

Eu sempre, vocês sempre vão me ouvir falar o mesmo, eu estou superexcitado e empolgado de ver o que nós temos pela frente, porque estamos sendo mais inclusivos, inclusivos de todos os jeitos. Hoje você tem startups por todo o lado, pessoas tentando resolver problemas que antes não eram possíveis de resolver, antes só protagonistas eram, as grandes companhias que tinham muita grana e tinham tradições de anos e anos, e isso está mudando em todos os níveis da cadeia de suprimento do Agro. E isso é fantástico. Fantástico para as pessoas que não têm medo de agir e encher a metade do copo, que ainda está vazio. Mas que o esperançoso realista acredita que vai se encher em algum momento.

Aline Araújo: Muito Bom, Dario. Se me permite, o que você está falando é genial, eu só queria acrescentar um ponto maravilhoso, que você me trouxe aqui à memória! Eu entrevistei há dois anos atrás Fernando Penteado Cardoso. Este homem quando eu entrevistei, ele estava com 104 anos de idade, e hoje ele está com 106 anos de idade, vivo. Esse homem foi o fundador daquela Maná, aquela companhia de adubo, “com maná adubando dá”, e essa companhia foi vendida e hoje ele criou, ele continua lá, com a Fundação Agrisus, agricultura sustentável. E eu perguntei a ele, a este homem, hoje com 106 anos de idade, eu perguntei quais são os dois conselhos que você daria para alguém hoje. Ele me falou duas coisas que, em síntese, Dario, o que você está falando, este homem disse: primeiro, não se afaste da ciência, porque agronegócio é ciência e ela muda todo dia, e a segunda coisa que esse homem me falou, e eu espero que isto aqui estimule mais ainda todo mundo que estiver conosco aqui foi: não tenha medo do mercado, se você tiver medo do mercado você se acovarda, você pensa pequeno. O mercado é simplesmente gigantesco e será cada vez mais gigantesco. Não tenha medo do mercado e viva ao lado da ciência! Um homem de 106 anos de idade, meu caro Dario, sabedorias! Obrigado, viu gente? Obrigado a vocês!

Dario Maffei: Obrigado a você, Tejon.

Aline Araújo: Muito obrigada gente, com isso chegamos ao fim do nosso episódio de hoje, do podcast Minuto Agro. Eu espero que vocês tenham gostado! Obrigada você ouvinte por nos acompanhar até aqui! E obrigada pela participação, pela conversa maravilhosa, Tejon e Dario! Nossa conversa foi realmente muito boa, obrigada!

Aline Araújo: Este episódio teve produção e colaboração técnica, de roteiro e de pauta do supertime de comunicação da Indigo. // Nos siga em todas as plataformas digitais para não perder nenhum episódio.

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Aline Araújo: Terminamos aqui mais um Minuto Agro, esperamos vocês no próximo!