Episódio 15: Biológicos de alta performance: vale o investimento?

    Neste episódio, falaremos sobre produtos biológicos. O crescimento do uso desses insumos nas lavouras, destacando seus benefícios e aplicações.

    Transcrição

    Aline Araújo: Olá, sejam bem-vindos a mais um episódio do Minuto Agro, é questionando que evoluímos. O podcast da Indigo. Eu sou a Aline Araújo, Head de Comunicação da Índigo. E esse é o espaço pra você ficar atualizado sobre o que acontece no agronegócio no Brasil e no mundo. No episódio de hoje, vamos falar sobre produtos biológicos. O crescimento do uso desses insumos nas lavouras, destacando seus benefícios e aplicações.

    Para conversar sobre o assunto com a gente hoje temos dois convidados especialistas nesse tema: Sérgio Abud, biólogo da Embrapa e Reinaldo Bonnecarrere, diretor Latam de Biológicos da Indigo. Sejam muito bem-vindos ao nosso podcast Minuto Agro.

    Sérgio Abud: Oi Aline. Obrigado pelo convite. É um prazer muito grande estar aqui falando um pouco sobre o nosso agronegócio, né? E também tentando tirar dúvidas ou desmistificar alguns pontos para os nossos ouvintes.

    Reinaldo Bonnecarrere: Olá, Aline. Olá, ouvintes. Olá, Dr. Sérgio. É um prazer estar com vocês, falando um pouquinho desse nosso negócio agro tão empolgante, das suas tecnologias de biológico cada vez mais empregadas numa agricultura cada vez mais tecnológica e sustentável no Brasil. Obrigado.

    Aline Araújo: Muito obrigada aí pela presença de vocês, por terem aceito o convite para participar desse nosso bate-papo. E pra gente começar, eu queria que vocês contassem um pouquinho para quem está nos ouvindo sobre a trajetória de carreira e como o trabalho de vocês está relacionado com o assunto de hoje do nosso podcast. Podemos começar com o Dr. Sérgio.

    Sérgio Abud: Eu já trabalho na Embrapa há 42 anos. Esse tempo todo, ligado ao manejo integrado da cultura da soja com a cultura do milho, feijão, algodão, trigo e, também, com a integração lavoura-pecuária. Nessa evolução desse tempo, nós já tivemos várias ocorrências de problemas com pragas e doenças e, muitas delas, a gente conseguiu resolver usando produtos químicos, muitas vezes até com a questão da genética, usando variedades ou materiais genéticos resistentes. Mas, com o passar do tempo, nós observamos que este uso contínuo das mesmas variedades, das mesmas moléculas, fez com que a gente começasse a perder algumas moléculas, algumas estratégias de manejo, né? E isso foi cada vez dificultando mais em termos de opções de uso, até que nós tivemos o grande problema com a helicoverpa armigera, que ocorreu há algum tempo atrás. Era uma praga exótica, invasora, quer dizer, ela não estava presente nas nossas áreas no Brasil e, quando ela chegou, pegou um ambiente em que o pessoal já está abusando de muitas aplicações e doses muito altas de inseticidas e, a alguns desses inseticidas, a helicoverpa armigera já era geneticamente resistente. E isso fez com que nós ficássemos com poucas opções de manejo. E aí, estudando a bioecologia e também o manejo dessa praga em outros países, nós observamos que o manejo biológico, principalmente com o uso de vírus, era uma prática importante. Eu me lembro que quando nós recomendamos o uso de biológico para controle de armigera, foi numa reunião que nós tivemos na Bahia. Tinha aproximadamente uns 1.200 participantes nessa reunião. O pessoal falou assim: Você está sonhando. Nós estamos usando aqui o inseticida mais forte e não estamos controlando. Como é que nós vamos usar vírus. Eu falei: Pois é, mas o problema é esse: com o uso intensivo e recorrente das mesmas moléculas, doses e mais doses, nós acabamos causando um desequilíbrio no agroecossistema. Então, o biológico passou a ser uma tática importante nesse manejo, né? E, a partir daí, a gente viu a grande contribuição do manejo biológico integrado aos outros manejos, inclusive hoje como membro do Sesi, a gente vê a grande contribuição dos biológicos como condicionadores de solo, como indutores de enraizamento e uma série de outras contribuições como, por exemplo, redução do estresse em plantas; então, isso contribuindo para a integração com as outras práticas de manejo e, também, com o manejo para alto rendimento. Então, hoje é necessário, né? Nós temos um pouquinho mais de conhecimento sobre essa agricultura, que nunca deixou de ser biológica. Na minha opinião, a agricultura sempre foi biológica e nós estávamos tentando levar para o lado dos químicos, mas não deu certo. Então, nós retomamos o caminho da natureza. Hoje, os biológicos voltaram a ser prática de manejo muito importante para a nossa agricultura. Foi mais ou menos por aí.

    Reinaldo Bonnecarrere: Bom, Aline, a minha formação é bastante técnica também. Eu fiz meu mestrado em Nutrição de Plantas, lá na Universidade Federal de Santa Maria e, depois disso, eu fiz um doutorado em Fisiologia Vegetal, mas muito focada nessa interação entre planta, ambiente e os estresses que a planta sofria e com a aplicação de produtos. Então, durante meu doutorado, eu comecei esse estudo de como que os produtos afetam a fisiologia da planta. E eu lembro de tecnologias que eram usados para controle de doenças, como elas afetaram fisiologicamente a planta e qual que era o efeito que elas tinham, muitas vezes, um efeito além da proteção da planta contra um determinado fungo, como ela também dá um efeito fisiológico na planta. Aí eu comecei a estudar esse mundo dos defensivos também. Desenvolvi uma carreira na indústria de defensivos. Fiquei por 15 anos focado no desenvolvimento de produtos e, desses 15 anos, meus últimos 10 anos, focado muito na questão dos biológicos. Foi aí que acho que toda a indústria começou a olhar, nos últimos 10 anos, muito mais a fundo, acho que o exemplo que o professor Sérgio utilizou da helicoverpa, foi realmente o boom dos produtos biológicos, então, onde os químicos não tinham esse controle, foi-se buscar também nos biológicos, uma ferramenta de controle para isso. E desde lá, então, eu lembro dos primeiros estudos que a gente fez com o biológico, devido ao modo de ação do produto, como ele tem interação na planta, muito diferente dos químicos. A gente começou a entender um pouquinho mais esse mundo dos biológicos e como esses produtos vinham agregar na agricultura e trazer realmente uma ferramenta a mais para o produtor, nesse combate a todas as questões de stress, causadas por efeito de pragas e doenças das plantas. E, assim, apesar de ser uma ciência muito nova, uma ciência que vem evoluindo muito, um estudo sobre os biológicos cada vez mais aprofundado, para entender mais o modo de ação dos produtos, como realmente trazem essa performance diferenciada, que é um pouquinho do que a gente vai falar aqui hoje. E, realmente, é apaixonante se trabalhar em uma área dessa e toda a evolução que a gente teve em um curto espaço de tempo, com essas ferramentas hoje tão utilizados pelo agricultor. E cada vez mais a gente vê que nós estamos no início dessa descoberta. Tem muito mais por vir nessa área de biológicos na agricultura.

    Aline Araújo: Reinaldo, você comenta sobre a evolução aí, que é uma ciência recente, mas que vem crescendo muito e a gente observa nas últimas safras, uma crescente do mercado de insumos biológicos como um todo e a ampliação do uso deles nas lavouras. Como que você explica esse movimento? Você acredita que isso tem acontecido pela mudança de comportamento do produtor, que está mais consciente da necessidade de investir em práticas de produção mais rentáveis ou é a questão de performance efetivamente dos produtos?

    Reinaldo Bonnecarrere: Aline, eu acho que são as duas coisas. Eu acho que o agricultor realmente busca práticas mais sustentáveis, mas o agricultor também tem o que a gente chama a dor dele, né? Ele está lá na lavoura, com toda a condição de stress, praga atacando. E se ele não tem uma ferramenta que seja adequada para aquele controle, ele não pode pensar na sustentabilidade. Então, para mim, são as duas coisas que estão aliadas a práticas mais sustentáveis e cada vez mais ferramentas de produtos biológicos para uma melhor performance, entendendo mais qual a sua função no manejo. A gente também não pode colocar, na questão do manejo, a utilização da prática do produto biológico como a única prática de ferramenta de controle. Eu acho que é mais uma ferramenta muito importante e, se bem empregada, ela traz um resultado muito mais positivo. Então, realmente, hoje o agricultor vê no produto biológico uma ferramenta eficiente no controle das pragas e doenças que ele tem na lavoura, mas dentro de uma questão de todo o manejo. Então, são as duas coisas basicamente: as práticas mais sustentáveis, produtos menos agressivos, mas também ferramentas muito bem desenvolvidas para o controle das pragas. Eu acho que é uma relação completa de manejo e sustentabilidade juntas.

    Aline Araújo: E, prof. Sérgio, por um lado a gente observa esse movimento que o Reinaldo comentou, de crescimento e desenvolvimento do mercado de biológicos. Por um outro, ainda existe um estigma muito grande em torno desse assunto e muitos produtores com um pensamento tradicional, eles duvidam da eficácia desse tipo de produto. Termos como água de batata são utilizados em referência à eficiência dos biológicos. Você acredita que pode explicar melhor para o ouvinte de onde que surgiu esse estigma, se tem alguma verdade nele hoje em dia?

    Sérgio Abud: Aline, essa é uma questão muito complexa. Sobre a adoção de determinadas tecnologias, nós temos um efeito muito forte que é a questão da motivação. A motivação cultural e situacional, ou seja, cultural é aquilo que o grupo em que você está inserido recomenda ou tem experiência ou, pelo menos, afirma que dá certo ou que não dá certo. E situacional é: olha, minha situação não permite que eu faça. Então, dentro dessa questão cultural, da motivação cultural, como você falou aí, existe esse estigma realmente. Eu sou do tempo em que nós coletávamos lagartas no campo, infectadas com Nomuraea, né? E batia no liquidificador com outros biológicos que nós tínhamos naquela época lá. E batia no liquidificador, colocava no pulverizador e jogava na lavoura. As lavouras eram menores, as condições de controle não eram iguais às de hoje e aquilo funcionava. Mas, aí a indústria evoluiu muito e começou a disponibilizar uma série de produtos. E acabou que o pessoal teve produtos como, principalmente, no caso dos biológicos, nós estávamos usando muito produto ligado a controle de pragas, mais especificamente ao controle de lagartas. Os inseticidas, eles tinham um efeito de choque, um efeito de contato muito rápido, então, quando você aplicava lá um Lannate ou um produto daqueles mais antigos lá numa lavoura, as lagartas caiam e morriam na hora. Agora, um biológico não, o modo de ação dele é muito mais lento, então você tem que estar acompanhando o bicho. Você joga um produto biológico lá nas lagartas, elas continuam se movimentando, elas param de se alimentar, diminuem muito a atividade, mas elas não estão mais causando dano na lavoura. Então, esse modo de ação lento, foi um problema. Por um outro lado, um outro problema que os produtores argumentam é essa questão de você integrar o uso do biológico ao químico. Por exemplo: você vai colocar um fungo junto com um fungicida. Eles não acreditam que isso funciona muito bem. E para ter uma nova entrada, nós temos um grande problema hoje, que é um grande desafio para nós, que é essa questão do que é agronomicamente recomendado e o que é operacionalmente ou economicamente mais barato; operacionalmente mais fácil e economicamente mais barato. Então, o produtor, muitas vezes, ele não tem como entrar novamente com uma máquina para poder fazer um biológico, após uma aplicação de inseticida. E nós sabemos que existem algumas práticas de manejo, por exemplo, para você controlar percevejo: você aplica um produto de contato, você vai matar o percevejo, mas os ovos vão continuar ali na lavoura. Então, se você usar um parasitóide de ovos, aplicado depois, o que é um marco do biológico: é um parasita de ovos que vai ser alimentar do percevejo. Aí você, além de matar os progenitores, que fizeram a postura desses ovos, você vai matar os descendentes, já que vai destruir esses ovos. Então, ele não quer entrar depois ou, talvez, não saiba quando entrar depois. E nós temos esse problema do operacional envolvido nisso, né? Uma outra coisa, que eu tenho conversado nos polos, com os grupos que desenvolvem produtos biológicos, é de nós estarmos desenvolvendo produtos que permitam o uso junto com os produtos químicos que são aplicados na lavoura. Porque nós vamos levar um tempo para poder resolver esse problema aí, desse impasse do que é agronomicamente recomendado e o que é operacionalmente mais fácil. Assim, nós teríamos que aumentar o número de máquinas no campo. Então, se o produtor não tem mais máquina, ele vai reduzir as aplicações. E se nós não tivemos produtos biológicos que possam ser utilizados e integrados junto com os químicos, hoje nós já temos tabelas que mostram quais os produtos que você pode misturar desses químicos com os biológicos. E se nós não tivermos essa recomendação, o produtor vai cada vez usando menos. Mas, o grande problema dessa questão dos termos que você falou, de água de batata, de solução mágica, isso aí advém exatamente dessa questão, na minha opinião, dessa motivação cultural. É mais fácil eu usar um produto de choque que elimina o problema rápido do que utilizar um pouco mais do meu tempo na atenção da lavoura, fazendo controle biológico. Hoje, com as tecnologias mais modernas que nós temos, praticamente todos esses problemas já foram resolvidos. Hoje nós temos muitos produtos que você consegue integrar biológicos com os químicos, tecnologia de aplicações muito mais avançadas, com o uso de drones para distribuição de parasitóides de ovos, enfim. Então, com o que tem de mais moderno hoje, esses conceitos, esses termos antigos caíram por terra. E o que nós temos que fazer hoje é informar mais ao produtor sobre as opções que nós temos para que ele possa utilizar e ter sucesso no manejo da lavoura.

    Aline Araújo: E quais os produtos biológicos de alta performance? Vocês podem explicar um pouco sobre as características frente aos biológicos de produção na fazenda? E quais são as vantagens em seu uso? Vale a pena investir nessa linha de insumo? Como que um produtor pode calcular o retorno sobre esse investimento?

    Sérgio Abud: Aline, essas práticas hoje, que são Integradas com biológico de alta performance, elas têm resultados fantásticos. Eu vou dar um exemplo aqui de um biológico, de um fungo entomopatogênico, que é um fungo que causa doença no inseto-praga, que é usado para controlar a cigarrinha no milho. A cigarrinha é um vetor dos molicutes, que são bactérias que causam doenças na cultura do milho. Hoje, a integração, por exemplo, de um biológico de alta performance, no caso da Isaria, por exemplo, ou da Beauveria, juntamente com o controle químico, para controlar a cigarrinha, principalmente naquela fase inicial, onde não deve ter contaminação, ou seja, o vetor não pode transmitir os molicutes para planta de milho. O resultado nas lavouras tem mostrado, assim, uma redução dos danos muito grande. Associado a isso, hoje nós temos produtos anti-stress, que reduzem o stress da planta, inclusive melhora a condição da planta para ela não multiplicar esses molicutes e reduzir o impacto dos enfezamentos sobre a planta. Mas, esses produtos de alta performance exigem isolados selecionados de alta eficiência e, esses isolados, exigem uma multiplicação, ou seja, uma produção com conhecimento Industrial melhor. Então, assim, não dá para você usar esses produtos de alta performance, fazer multiplicação on-farm, sem que haja um profissional que conheça como manusear esses produtos no campo, ter as condições ideais para o manuseio no campo, saber exatamente se não está ocorrendo contaminação desses recipientes de produção, desses isolados; conhecer exatamente a população que você tem desses organismos, para que você possa fazer a aplicação na concentração certa no campo e a condição de ambiente ideal para isso. Então, quando nós conversamos no campo, né? E olha que eu visito muitas fazendas que têm produção on-farm, uma das dificuldade dos produtores é ter a certeza se não tem contaminação e, a outra, é que o custo, quando ele vai fazer a produção assim, em condições bem controladas, o custo fica mais alto. Então, com o passar do tempo, ele acaba desistindo de fazer essa produção on-farm e passa a obter um produto de qualidade controlada, um produto industrializado sob condições melhores, sabendo que ele vai poder usar esse produto no campo e vai ter a resposta que ele espera. E na lavoura, essa questão da mão de obra, da exigência da mão de obra especializada, a dificuldade na aquisição dos isolados confiáveis, para você saber exatamente o que você tem e, nesse caso, nós estamos falando de microbiológico, nós não estamos falando de macrobiológico. Aí, a condição é mais complexa ainda para você produzir o macrobiológico na fazenda, isso é praticamente impossível. Mas, os microbiológicos são produzidos e aí entra essa dificuldade de controle na qualidade da produção. Então, o produtor acaba desistindo disso, enquanto que as respostas desses produtos mais modernos, produzidos industrialmente, de forma correta, na população correta, aplicado de maneira correta, tem dado resultados fantásticos no campo. E essa associação e a integração dos biológicos com os químicos, tem dado resultados econômicos muito bom para os produtores. E isso é mostrado por meio até da produção deles. Vocês podem observar que a produção de biológicos aumentou muito no Brasil e a gente acha que vai aumentar mais ainda. Dentro do CESB, as áreas de manejo para alto rendimento, na grande maioria delas, tem os biológicos integrados, do tratamento de sementes até o final, com o manejo de doenças e até, muitas vezes, dentro da cultura que vem ou da planta de cobertura, são colocados alguns biológicos junto com as sementes das plantas de cobertura, para melhorar a diversidade biológica do solo, para melhorar essa resposta. Então, hoje, essa integração, ela é muito grande e o Brasil vem se transformando numa agricultura tropical extremamente sustentável, graças a essa integração de práticas.

    Reinaldo Bonnecarrere: Aline, legal! Foi uma aula do Dr. Abud com relação à performance desses produtos, falar um pouquinho também do on farm. E um ponto que eu queria trazer aqui, concordando com tudo que o Dr. Abud falou, é com relação também ao termo on farm, um termo também muito genérico do on farm, porque a gente sabe que quando a gente fala on farm, a gente pensa como ele vai ser produzido, com que qualidade? Aí traz todos esses pontos que o Dr. Abud citou sobre contaminação, que é fundamental para um microorganismo não ter contaminação, para que ele possa se multiplicar e multiplicar aquela cepa que realmente é que traz o controle. E se a gente pensa em um ambiente on farm, e só falando por on farm, a gente pode ter desde aquele ambiente de baixa tecnologia, onde a gente só faz uma multiplicação e aplica de novo esse produto na fazenda ou a gente pode ter, que também está dentro desse on farm, grandes grupos fazendo a multiplicação de uma maneira industrial desses microrganismos. E aí sim, você tem toda a questão de controle de qualidade, você consegue fazer a eliminação dos contaminantes, então a gente também tem que separar um pouquinho do que é on farm e do que a gente traz um tratamento desses grandes grupos, onde eles fazem uma multiplicação dentro desse grupo e conseguem ter todas essas questões de qualidade preservadas. E aí o produto teria essa qualidade e, também, o mais próximo à industrial. Mais um ponto que eu queria ressaltar aqui também é que a gente entende que existem diversos microrganismos com muito bom efeito, mas com limitações de produção e aí, eu acredito que as empresas estão desenvolvendo muito só as questões de tecnologia de formulação dos produtos, para trazer toda essa questão de como você coloca o microorganismo, que é um ser vivo, dentro de uma formulação estável, para que você possa fazer aplicação dele na lavoura e preservar esse microorganismo, que é o desejado para que a gente tenha essa aplicação. Então, nesse sentido, as empresas evoluíram muito nessas tecnologias. Microrganismos que a gente não conseguia formular no passado, hoje a gente consegue formular e preservar eles dentro dessa formulação, para que sejam aplicados na agricultura. E, além disso, as diferentes formas de aplicação: é diferente uma formulação que você desenvolve para aplicação foliar, que tem que ter uma certa característica e formulações, como no caso dos microrganismos, muito utilizadas nos tratamentos de semente, e a gente sabe o quão sensível é a semente com relação à formulação. Então, tudo isso, eu acho que a indústria evoluiu muito nessa condição, não só na descoberta dos microrganismos, mas também trazer essas questões de formulação associadas, que isso é muito difícil de você fazer, uma multiplicação on farm, se você preservar essas características do produtos. Então, assim, esses produtos de alta performance geralmente requerem condições específicas de formulação, para que eles tenham sua performance no campo e tragam essa contribuição para a agricultura. E a gente tem que realmente separar o que é um produto de alta performance, uma formulação, para um produto de multiplicação on farm e qual é o risco e a contaminação que esse produto pode ter, para depois ter um problema de performance lá na frente.

    Aline Araújo: Vocês dois trouxeram pontos diferentes a respeito da aplicação, que pode ser foliar, que pode ser na semente e, principalmente, o Dr. Sérgio falou a respeito do aumento de complexidade no manejo durante esse processo de aplicação. Quais seriam aí as alternativas e quais seriam as melhores práticas no processo de aplicação dos biológicos?

    Sérgio Abud: Aline, essa é a pergunta, ou melhor, essa é a informação que nós estamos tentando passar para os tomadores de decisão no campo. Nós temos um grande impasse que é hoje, não é um impeditivo, não é uma coisa que vai impedir que os biológicos aumentem. Mas, isso também tem sido problema para uso dos outros produtos. E é esse impasse que nós temos no campo, do que é agronomicamente correto e do que é economicamente mais barato ou operacionalmente mais prático, Muitas ações no campo hoje, entradas de manejo na lavoura, elas são feitas de forma calendarizada, não é uma tomada de decisão embasada em monitoramento, em necessidade. É em medo. Então, essa palavra medo, ela surgiu em um evento que eu participei há alguns dias atrás, lá no Mato Grosso, em que o nosso colega, pesquisador, falou a respeito da questão do medo. Por que o produtor usa esse produto? É porque tem medo de que a lavoura dele tenha uma infestação de praga ou de doença e ele não consiga controlar. Então, o desconhecimento gera o medo. E a primeira coisa que a gente tem que fazer é levar informação para o produtor, para que ele tome as decisões de forma mais assertiva, mais agronomicamente e mais correta. A outra questão é que a agricultura que nos trouxe até hoje, ela nos trouxe e nos fez crescer e ser uma referência no mundo, mas a produtividade que nós estamos obtendo com o manejo que nós estamos praticando no campo hoje, ela é metade do que nós poderíamos estar obtendo. Então, quando a gente fala de manejo para alto rendimento, eu sempre falo para os produtores: Olha, não me interessa quanto você está produzindo, me interessa quanto você está deixando de produzir. Porque produzir 120 sacos é possível hoje, os bons produtores têm mostrado isso. Mas, a nossa média ainda está no 60, ou seja, nós estamos deixando de produzir 60 sacos. Agora, quais são os fatores que reduzem a produtividade e que fazem com que a gente esteja nesses patamares de produtividade? Muitos deles, são essas tomadas de decisão. A gente vai pela receita do bolo, você vai pelo calendário de aplicação, você vai pelo que a maioria usa e não pelo que é a necessidade. Então, assim, o monitoramento da lavoura para a tomada de decisão é a primeira coisa que o produtor tem que fazer. Então, quando ele monitora a lavoura, ele vai saber se há necessidade da intervenção ou não. A outra coisa que é importante é essa interação ou a integração das nossas práticas. Você viu nessa fala que nós tivemos do Reinaldo, ele falou uma coisa muito importante, que para mim é a cereja do bolo, que é a questão da formulação. Hoje, a aplicação dos produtos biológicos no plantio, tirando da semente e colocando no sulco, ela tem dado um resultado fantástico. Porém, para você aplicar na semente, é necessário ter uma formulação ideal, para você não ter problema com a semente, que a semente é base da lavoura, entendeu? Ela é a base do rendimento, então, todo rendimento potencial da lavoura, depende da qualidade dessa semente, da qualidade com que essa semente é tratada, semeada e ela desenvolve para poder gerar nossa unidade de produção, que é cada planta. Então, o tratamento biológico feito na semente, ele exige tecnologia própria para isso. No Sul, pode ser a mesma tecnologia ou pode ser uma tecnologia um pouco diferente, mas, assim, tem dado resultados fantásticos. Nas folhas: hoje, nós temos produtos que são aplicados na folha, que a planta gasta muita energia para metabolizar. O Reinaldo falou, na fala anterior dele, sobre essa questão de custo energético. A planta, muitas vezes, ela gasta energia para metabolizar um produto que nós achamos que vai fazer bem para ela. Então, assim, nós temos produtos biológicos hoje com alta sinergia com a planta e que oferece um bom controle. E para o produtor tomar a decisão nessa hora, é necessário ter conhecimento. Para o rendimento financeiro que os produtores estão tendo na lavoura hoje, isso paga um pouco mais de conhecimento, sabe? O nosso saudoso Dirceu Gassen, ele falava que produtividade está diretamente correlacionada com a quantidade de conhecimento que você aplica por hectare ou por metro quadrado. Então, nós precisamos nos aproximar mais do setor produtivo, levar mais informações que facilitem ou que dêem mais segurança para os produtores nessa tomada de decisão, para que a gente tenha o sucesso na agricultura. E os biológicos, eles vêm, chegaram e já estão aí e eles vão dar essa contribuição para que a gente tenha uma agricultura muito mais sustentável, facilitando o manejo no campo e aumentando o rendimento do produtor, sem causar grandes riscos para o meio ambiente.

    Aline Araújo: Reinaldo, pegando o gancho aí do final da fala do Dr. Sérgio. Pensando em produção sustentável, como que os insumos biológicos de alta performance contribuem para o desenvolvimento de uma nova agricultura, onde exista um consumo mais consciente de recursos naturais e menor impacto no meio ambiente?

    Reinaldo Bonnecarrere: Eu acho que o Dr. Abud falou bastante dessa questão do manejo que, para mim, é fundamental a gente trazer esse tópico sempre: o manejo. Porque o biológico a gente já discutiu bastante aqui sobre a eficiência dele, então, realmente, não é só mais uma fala de sustentabilidade e, sim, que ele é mais uma ferramenta de utilização na agricultura, para que a gente tenha maiores rendimentos. E, dentro disso, a gente tem produtos que são aplicados para controle de alguma determinada praga ou doença, como a gente já falou bem aqui, eu cito exemplo de nematoide, que é um problema cada vez mais grave no mundo inteiro. O Brasil é um país em que, cada vez mais, a gente tem problema com nematoide, inviabilizando áreas de produção no Brasil, trazendo impacto econômico muito grande aos agricultores. E a gente já viu no desenvolvimento de produtos que, nesse sentido, o biológico é um produto fundamental de manejo de nematoide em solo, principalmente pelo seu modo de ação. Quem é mais antigo sabe que os produtos químicos desenvolvidos para o controle de nematoides sempre eram produtos com alta toxicologia, com questões ambientais graves relacionadas a esses produtos e, os biológicos, vieram para fazer essa composição de manejo. Mas, também a gente não consegue, dentro desse manejo, só com o biológico resolver todo o problema. Então, aí se entra com práticas de rotação de cultura, aplicação do biológico não só na cultura alvo, que você tem um problema do nematoide, mas citar, por exemplo, quando você faz um manejo de soja e milho safrinha, que o problema do nematoide está só na soja e não no milho safrinha. Convencer o agricultor que ele tem que utilizar o produto biológico nos dois cultivos, para aí diminuir a população de nematoide no solo. Esse é um dos exemplos de você trabalhar toda essa questão de manejo, para alto rendimento e uma agricultura mais sustentável. Isso falando em controle. A gente pode usar outro exemplo: os biológicos foram desenvolvidos e continuam sendo desenvolvidos como produtos que ajudam a planta no stress, seja esse stress por água e seja stress por temperatura, os biológicos, por serem microrganismos que se associam ao sistema radicular e, às vezes, não só ao sistema radicular, como no caso da Indigo, em que a gente trabalha bastante os endofíticos, que se associam às plantas - eles são reguladores de stress dentro da planta. Então, em questões onde a gente não tenha a disponibilidade hídrica ideal para a planta, mesmo assim, a sua planta tolera um pouco mais as questões de stress, por isso os microrganismos estarem associados e dar essa regulação de stress e promoção, por exemplo, de sistema radicular da planta. Eu acho que a agricultura sustentável, que a gente sempre teve no passado de dizer que o biológico é um produto sustentável e o químico o não-sustentável, está muito atrelada a manejo, como a gente maneja a cultura, quando a gente usa uma ferramenta química, quando a gente usa um biológico associado ou quando o biológico é a opção para aquela situação dentro do manejo da cultura, para que a gente tenha, no final, o que o Dr. Abud falou muito bem antes, é que o agricultor chega para ajudar no potencial que ele tem e não só a quanto que ele conseguiu colher naquela safra, mas quanto que ele poderia ali, naquela safra, se ele fizesse um manejo mais racional daquela lavoura e pensando, realmente, nos fatores de stress da cultura e não no calendarizado, como muitas vezes se faz na agricultura. Então, tudo isso, todo esse contexto, nos traz o que é uma agricultura mais sustentável, um potencial produtivo maior e um rendimento maior das lavouras. Acho que é uma pergunta complexa, são uma série de fatores, mas, para mim o biológico é uma ferramenta fundamental nessa agricultura mais racional, mais sustentável e mais rentável para o agricultor.

    Aline Araújo: Dr. Sérgio, o assunto do momento em torno dos biológicos é a questão da solubilização do fósforo e fixação do nitrogênio nas plantas. Inclusive, recentemente, um estudo da Embrapa ganhou o tema com destaque na mídia. Pode explicar um pouco melhor do que se trata isso e de que forma é uma vantagem dos biológicos frente a outros tipos de insumo?

    Sérgio Abud: Quer dizer, esse é um assunto que não é novo, né? Apesar dessa tecnologia ter sido lançada agora, mais recentemente, mas o estudo com micorrizas, para o aumento da eficiência do uso do fósforo no solo, é uma pesquisa muito antiga. Eu me lembro que aqui na Embrapa Cerrados, a Dra. Jane já trabalhava com isso e com resultados fantásticos para a soja, inclusive para plantas forrageiras, com o uso de micorrizas, que são fungos com hifas que buscam o fósforo a longas distâncias e disponibiliza para a planta. Em relação ao uso da fixação de nitrogênio, a seleção das estirpes de bactérias que foram usadas ou que viabilizaram, inclusive, o cultivo da soja no Brasil, isso é coisa do início da Embrapa, lá dos anos 74, 75. Eu trabalhei na equipe com o Dr. Perez, o Dr. Alert e outros pesquisadores, selecionando essas estirpes de bactérias, que muitas ainda são usadas até hoje para a fixação biológica do nitrogênio. Hoje isso evoluiu, nós temos biológicos, os bacilos ali, que eles ajudam na liberação desse fósforo no solo e melhoram a utilização desses nutrientes no solo. Existe uma questão associada aí. O Reinaldo falou muito bem sobre a questão dos nematoides, mas hoje esses biológicos são colocados como indutores de enraizamento, ou seja, são microrganismos que liberam hormônios na raiz, fazendo com que essa raiz aumente o volume no solo e, também, profundidade. Ao fazer isso, ela vai produzir mais resultados, né? Nós vamos ter um biofilme de microrganismos em volta dessa raiz, se alimentando do resultado que a raiz produz. Então, ela induz a planta a produzir mais raiz, para produzir mais resultado para alimentar os microorganismos. Mas, associado a isso, ela libera produtos que mascaram a comunicação, por exemplo, dos nematoides. Mas, aumentando o volume e a profundidade da raiz, ela tem uma superfície de contato de raízes maior, absorvendo muito mais nutrientes e água, melhorando essa performance da planta com relação aos estresses causados principalmente pela falta de água. E os nutrientes, como o caso do fósforo, ficam muito mais disponíveis com aumento no sistema radicular, além da ação desses microrganismos na liberação desse fósforo, na solubilização do fósforo para que a planta tenha maior eficiência nisso. Eu me lembro que nós tínhamos uma pesquisa aqui na Embrapa, experimento de muitos anos, experimento de 40 anos, em que nós íamos colocando fósforo no solo e observando a eficiência do uso desse fósforo. Então, foram doses de fósforo aplicadas no início e ficaram muito tempo no campo. E nós observamos que teve planta que retirou, por exemplo, 107% desse fósforo. Mas, você falou, que ele aplicou 100% e esses 7%, de onde vêm? Vêm desse fósforo orgânico, dessa solubilização, dessa disponibilidade desse fósforo, que está presente ali no solo, como ele está presente nas matas que não são adubadas e nas lavouras, que têm um sistema radicular, uma performance de profundidade, de volume de raiz muito maior. Nós estamos atravessando um momento em que nós vamos ter que melhorar a eficiência no uso dos fertilizantes. Então, essas tecnologias, como foi citado no programa Globo Rural sobre a solubilização de fósforo, sobre a eficiência no uso do fósforo e, também, da fixação de nitrogênio, esse é um tema muito importante e, para isso, para melhorar essa conscientização do produtor sobre o uso mais eficiente dos nutrientes, nós criamos uma frente, um grupo em que nós estamos fazendo uma capacitação a nível nacional, que nós chamamos de Caravana Embrapa FertBrasil. Nós vamos rodar o Brasil inteiro, mais de 40 pontos, levando essas questões para a tomada de decisão no uso eficiente dos nutrientes. E essa prática no uso dos microrganismos e da agricultura mais sustentável, ela virá à tona como uma ferramenta importante para a melhoria no uso eficiente, no uso mais eficiente dos nutrientes, em um momento tão importante quanto esse, em que nós temos indisponibilidade de fertilizantes, preços muito altos, problemas com logística, ou seja, o produtor vai ter que tomar uma decisão em adubar ou não adubar e com base em que, ele vai tomar essa decisão, né? E onde ele não adubar, existem tecnologias que podem melhorar a performance da lavoura, como é o caso desses biológicos? Então, são respostas que virão devido à crise que nós estamos passando nesse momento. Mas, eu tenho certeza que nós, como tivemos problemas em outros momentos, vamos enfrentar isso e teremos uma agricultura de sucesso em um ano de crise, como esse que nós estamos vivendo no momento.

    Aline Araújo: Infelizmente, a gente está chegando ao final do nosso episódio, quer dizer, da nossa aula de hoje. Vocês estão dando uma aula aqui pra gente, dois especialistas a respeito desse assunto. Eu gostaria de deixar uma última pergunta para vocês. Um dos principais fatores externos, que pode interferir diretamente na produtividade da lavoura, é o clima. Vimos isso esse ano, na safra do sul do país, de forma que o monitoramento, ele é imprescindível para obter o sucesso no plantio. Como a adoção de produtos biológicos no manejo e como esses insumos podem ajudar a prevenir grandes perdas por conta do clima?

    Sérgio Abud: Essa é uma colocação muito inteligente e muito oportuna, Aline. Eu tenho observado e acompanhado as áreas de alta produtividade no Brasil. São, pelo menos, mil áreas auditadas dentro do Sesi, ano após ano, em que a gente está acompanhando o que esses produtores têm feito nessas áreas. E a gente observa que o clima é um fator determinante da produtividade, principalmente a disponibilidade de água, a temperatura e a luminosidade. Água, não tem como a gente regular a qualidade da distribuição dela. Mas, nós podemos armazenar no solo, construindo um perfil em profundidade e, uma outra coisa que nós podemos fazer, como nós já falamos anteriormente, é usar esses biológicos de forma que a gente possa aumentar o volume de raiz, aumentar a eficiência no uso desses fertilizantes que estão no solo, melhorar ou diminuir o stress abiótico, causado principalmente por essas questões ligadas ao stress de temperatura e de falta de água, de seca e, também biótico, em função das pragas e doenças que nós temos no solo, o uso desses biológicos que são colocados no solo. Dessa forma, nós vamos melhorar e muito volume de raiz tendo uma maior absorção de água, maior absorção de nutrientes e nós sabemos que produtividade é número de grão vezes o peso do grão. E quando a planta não tem stress ou ela não sofre stress e, para isso, nós podemos usar produtos biológicos que reduzem esses estresses bióticos e abióticos também na parte aérea, além da raiz, nós vamos ter uma planta muito mais desenvolvida, produzindo muito mais número de grãos. E, se nós não causarmos muito stress nessa planta, ela vai ter uma alta eficiência em pegar todos aqueles fotoassimilados que estão na folha, que foram armazenados devido à fotossíntese e vão translocar, dando peso no grão. Então, produtividade é número de grão e peso do grão e, com esse manejo eficiente, uso de plantas de cobertura, uso dos biológicos, manejo de anti-stress, nós vamos ter uma agricultura muito mais sustentável sob o ponto de vista de menor stress, com custo menor, menor risco de contaminação do meio ambiente e uma produtividade muito mais satisfatória. E acredito que nós vamos, inclusive, poder logo logo ter uma certificação dessas áreas com manejo sustentável e isso, graças a essa prática que nós estamos tendo e, principalmente, com a disponibilidade que a indústria tem nos oferecido de biológicos de alta performance.

    Reinaldo Bonnecarrere: O Abud aqui trouxe um ponto fundamental, que é nessas questões de stress de água no solo, quando você tem um produto biológico que causa essa promoção de crescimento radicular, raiz secundária e, com isso, traz esse arranque inicial da planta, que é o que a gente vê no campo quando a gente aplica esses biológicos mais posicionados como promotores de crescimento e tem um stress hídrico inicial, você vê uma planta muito mais bem estabelecida, mais rapidamente estabelecida nessa fase inicial, que é tão importante para a planta desse estabelecimento, onde ela está aí, suscetível a várias condições que podem realmente matar a planta, tirar uma planta da população, como o Sérgio Abud falou. Se você tem uma planta a menos, você tem menos grão. Menos grão, menos peso de grão, menor produtividade no final. Então, essa fase inicial de arranque é muito importante. Esses estresses, os biológicos muitas vezes trazem um ganho significativo e muito visível para o agricultor, quando ele faz uso dessa ferramenta. Além disso, como a gente entende que os biológicos não são produtos como no passado, aqueles produtos de choque, que têm seu efeito e esse efeito é cortado aí dois, três dias depois, os biológicos, eles se multiplicam no solo, se multiplicam na mesosfera. Então, se você tem condições de stress, inclusive mais tardias e microorganismos que têm esse acesso à planta rizosfera e também penetram na planta, esses produtos podem até fornecer uma resistência maior, quando a gente tem aqueles veranicos mais tardios nas plantas. Então, muitas vezes, não só aquela falta de água Inicial na planta, mas ao longo do seu desenvolvimento, a gente vê como os biológicos, muitas vezes, podem trazer esse ganho de rendimento pelo seu modo de ação e essa convivência que ele tem com a planta, ao longo de todo o ciclo do cultivo. Então, eu acho que, realmente, os biológicos, nessas condições de stress, principalmente de água, quando têm esse efeito de promoção e convívio com a planta, eles trazem um benefício muito claro e,, até visível, do benefício que esse produto tem.

    Aline Araújo: Reinaldo, Sérgio, queria deixar aqui o nosso muito obrigada pela participação. Esse foi o nosso episódio de hoje do Minuto Agro. Espero que vocês tenham gostado de participar tanto quanto eu gostei aqui da conversa com vocês. Queria aqui abrir um espaço final para alguma mensagem que vocês queiram deixar. Muito obrigada aí pela participação com a gente hoje.

    Reinaldo Bonnecarrere: Aline, muito obrigado pelo convite. Foi um prazer ter essse bate papo aqui com vocês. Espero que nosso ouvinte tenha gostado. Dr. Abud, fazia algum tempo que eu não conversava com ele, muito obrigado, acho que foi muito legal. Eu aprendi muito também hoje aqui. Então, obrigado a todos.

    Sérgio Abud: Obrigado, Reinaldo, a você. Obrigado Aline, né? Esse foi um momento muito bom para todos nós, pra gente repensar um pouco dos grandes benefícios que os biológicos podem trazer, integrado a todas as outras práticas que os produtores já usam no campo. Nós temos uma perspectiva aí de aumento da produtividade ou, pelo menos, da demanda de produtividade de grãos muito grande. O Brasil, os Estados Unidos e a Argentina devem estar entre os três países que vão ser responsáveis por, pelo menos, 90% da exportação de grãos até 2031, segundo dados do USDA e, pra gente chegar lá, nós vamos ter que fazer, praticar uma agricultura mais sustentável, não só sob o ponto de vista do meio ambiente, mas de trazer receita, trazer retorno para o produtor. E os biológicos, eles vieram para dar essa grande contribuição para as outras ferramentas que já vinham sendo utilizadas há mais tempo. Então, agradeço por esse momento, em que a gente pode discutir esses assuntos, desmistificar um pouco essa questão das informações sobre o uso dos biológicos e sensibilizar o produtor, para que ele não deixe de usar os biológicos nas práticas da fazenda dele, que a gente tem certeza que isso irá contribuir para os ganhos da fazenda, da região e contribuir para a segurança alimentar do Brasil e do mundo.

    Aline Araújo: Esse foi o nosso episódio de hoje do Minuto Agro, que teve produção e colaboração técnica de roteiro e de pauta do supertime de Comunicação da Indigo.
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